O AVC (Acidente Vascular Cerebral), uma das doenças que mais trazem preocupações à saúde pública de Piracicaba, teve uma redução no número de mortes no primeiro semestre. Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, entre os seis primeiros meses de 2024 e o mesmo período de 2025, houve queda no número de internações por AVC e redução na taxa de mortalidade.
De janeiro a junho de 2024 foram registradas 162 mortes pela doença, enquanto no mesmo período de 2025 foram 122. Uma queda de 16,35%. O AVC e suas sequelas estão entre as doenças não transmissíveis com maior número de óbitos em Piracicaba. Entre 2022 e 2023, foram registrados 385 óbitos e, em 2024, 216. Deste total, 77 (35,6%) ocorreram fora do ambiente hospitalar e 139 (64,4%) em ambiente hospitalar.
“A redução nas internações e na mortalidade por AVC evidencia o compromisso das equipes com a prevenção, o diagnóstico precoce e o atendimento ágil. O AVC é uma emergência médica em que cada minuto faz diferença. Por isso, investir em capacitação contínua e fortalecer a Atenção Primária são estratégias fundamentais para salvar vidas e reduzir sequelas”, destacou o vice-prefeito e secretário municipal de Saúde, o médico Sergio Pacheco.
Um dos motivos para a melhora dos índices, na visão de Pacheco, é o treinamento contínuo realizado pela Secretaria Municipal de Saúde. Recebem orientações profissionais da Atenção Primária, como enfermeiros, médicos, dentistas, técnicos e auxiliares de enfermagem, técnicos e auxiliares de saúde bucal, agentes comunitários de saúde, terapeutas ocupacionais, psicólogos e farmacêuticos.
A identificação rápida dos sinais de AVC permite encaminhar o paciente ao hospital e iniciar o tratamento em menos de 60 minutos — o que é crucial para o sucesso da terapia. Quanto mais cedo o atendimento acontece, menores são as chances de danos neurológicos permanentes, como paralisia, déficits de fala e dificuldades de mobilidade.
O atendimento precoce é considerado o primeiro passo para uma reabilitação eficaz, que visa restabelecer a funcionalidade e a qualidade de vida do indivíduo. O treinamento sobre o impacto emergencial do AVC é fundamental para a equipe multiprofissional, além da divulgação e educação da população para que as pessoas consigam identificar os sintomas e buscar ajuda imediatamente, acionando o SAMU pelo telefone 192.
Existem dois tipos de AVC: o isquêmico (85% dos casos), que ocorre quando há entupimento de um vaso sanguíneo que leva sangue ao cérebro e está ligado à pressão alta e a doenças cardíacas; e o hemorrágico (15% dos casos), caracterizado pelo rompimento de um vaso, provocando sangramento no tecido cerebral. É menos comum, mas mais grave, com risco elevado de sequelas e morte.
CONTRA O TEMPO
Os sintomas do AVC aparecem de forma súbita e exigem ação imediata. Entre os mais comuns estão sorriso torto, fraqueza em um dos lados do corpo, dificuldade para falar ou compreender, dor de cabeça súbita, perda de visão e tontura.
Para ajudar na identificação, foi criado um teste rápido, chamado SAMU, usado para reconhecer os sinais. S de Sorria: peça para a pessoa sorrir; se um lado do rosto não mexer, é um alerta; A de Abrace: observe se a pessoa consegue elevar os dois braços; M de Música: peça para a pessoa repetir frases simples, como uma música e U de Urgente: ligue para o SAMU 192 — cada minuto conta.
JOVENS
Um estudo divulgado recentemente pelo Ministério da Saúde apontou que os casos de AVC entre jovens (18 a 45 anos) cresceram mais de 20% no Brasil. Essa é uma tendência preocupante e um dos principais destaques do ano.
Em 2025, o Brasil registrou uma morte por AVC a cada 7 minutos, conforme noticiado por agências como o Estadão e UOL, citando o Santa Marcelina Saúde. Esse dado pode ser usado como um indicador de gravidade do quadro nacional.
No ano passado, o AVC causou mais de 60 mil mortes no Brasil, sendo mais de 63.500 delas do tipo hemorrágico, segundo o SBT. De acordo com o Portal da Transparência dos Cartórios, 84.878 óbitos por AVC foram registrados em 2024. Essa diferença pode ocorrer devido à forma de coleta e às diferentes fontes.
Dados do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de AVC mostram que os principais fatores de risco para o AVC são hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo, sedentarismo e colesterol alto. Na rede municipal de Saúde há também grupos específicos de acompanhamento para essas comorbidades.
NO MUNDO
Globalmente, a OMC (Organização Mundial da Saúde) já estima que 30% de todos os casos de AVC ocorrem em pessoas com menos de 45 anos. No Brasil, um dos maiores desafios para esse público é o diagnóstico tardio.
Entre as mulheres mais jovens, a combinação do uso de anticoncepcionais orais com o tabagismo é frequentemente citada como um fator de risco significativo para a formação de coágulos que podem levar ao AVC.