FELINOS

Adoção de gatos aumenta no Brasil, mas abandonos ainda preocupam

Por Bia Xavier - JP |
| Tempo de leitura: 2 min
Imagem gerada por IA
Mesmo com aumento no número de adoções, cerca de 10 milhões de gatos ainda vivem nas ruas do Brasil.
Mesmo com aumento no número de adoções, cerca de 10 milhões de gatos ainda vivem nas ruas do Brasil.

A paixão dos brasileiros por animais de estimação alcança novos patamares, especialmente quando se trata de felinos. Contudo, por trás dos números animadores, emerge uma realidade preocupante que desafia a consciência coletiva sobre a guarda responsável.

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A presença de gatos nos lares do país nunca foi tão expressiva. Levantamentos recentes apontam que a população de felinos domésticos superou a marca de 30 milhões, consolidando um crescimento notável de 5,4% nos últimos dois anos. Este cenário, à primeira vista, reflete uma sociedade cada vez mais aberta a acolher esses companheiros de quatro patas.

Mas a euforia dos números contrasta com uma sombra persistente: o abandono. Estima-se que, enquanto milhões desfrutam de um lar, assustadores 10 milhões de gatos vivem à margem, nas ruas, em uma luta diária pela sobrevivência. O contraponto é ainda mais cruel: menos de 7,5 mil desses animais encontram refúgio em ONGs ou espaços públicos, escancarando a disparidade entre a necessidade e a capacidade de acolhimento.

O drama não é exclusivo do Brasil. Em escala global, a cifra de cães e gatos sem um teto ultrapassa os 360 milhões, com mais de um terço vivendo nas ruas ou em abrigos superlotados. As razões para o desamparo são multifacetadas e, muitas vezes, dolorosas: mudanças de residência, que respondem por um quinto das desistências, problemas de saúde do tutor, dificuldades financeiras ou de moradia, falta de tempo, e até mesmo o comportamento do animal ou alergias na família. Um fator crucial agrava a situação: a baixa taxa de identificação. Apenas cerca de 50% dos cães e 60% dos gatos possuem algum tipo de registro, o que não só dificulta a localização de animais perdidos — 60% deles nunca são reencontrados — como também contribui para a reprodução descontrolada e o consequente aumento das ninhadas indesejadas.

A perda de um pet é uma realidade angustiante para quase metade dos tutores. Em meio a esse cenário desafiador, iniciativas locais buscam reverter o quadro. No Distrito Federal, por exemplo, a Secretaria de Proteção Animal tem atuado proativamente com programas de castração gratuita que visam o controle populacional e a promoção da saúde pública. Ações como campanhas itinerantes, apoio a protetores com mais de dez animais e agendamentos facilitados via plataforma online já beneficiaram milhares de cães e gatos em diversas regiões. O Hospital Veterinário Público de Taguatinga é um exemplo, tendo realizado mais de 30 mil atendimentos gratuitos em apenas um ano.

O fascínio pelos felinos é inegável, mas a responsabilidade que acompanha a adoção precisa ser igualmente robusta. A convivência harmoniosa entre humanos e animais depende não apenas do amor individual, mas de um compromisso coletivo com a vida e o bem-estar de cada ser.


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