PEDRO MIZUTANI

'Nós temos o nosso combustível do futuro’

Por Erivan Monteiro | erivan.monteiro@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 6 min
Will Baldine/JP
‘Temos um futuro brilhante com relação essa meta de descarbonização no mundo e o etanol faz um papel fundamental’
‘Temos um futuro brilhante com relação essa meta de descarbonização no mundo e o etanol faz um papel fundamental’

O engenheiro de produção Pedro Mizutani, 66 anos, nasceu em Ribeirão Preto, mas toda sua vida profissional foi desenvolvida em Piracicaba. Profissional gabaritado e reconhecido em nível nacional e internacional no setor sucroenergético, Mizutani diz que “nós temos o biocombustível que será o nosso combustível do futuro, que melhor se adequa à mitigação do efeito estufa com relação à emissão de carbono”, destaca.

Para ele, o etanol é um combustível das próximas gerações e a ideia é que se expanda para vários países. “Temos um futuro brilhante com relação essa meta de descarbonização no mundo e realmente o etanol faz um papel fundamental, não apenas no setor automobilístico, mas também no setor marítimo, de aviação e na indústria química”, teoriza o executivo da Raízen.

Mizutani conta que já existem alguns países com mistura; nos Estados Unidos, diz, hoje a mistura é de 10% e estão indo para 15% voluntariamente em alguns estados; na Índia, a mistura já alcança 20%. O Japão deve implementar essa mistura a partir de 2030 para 10% e hoje aqui nós temos aqui um blend de 30%.

Casado com Eunice Mizutani e pai de Erika e Pedro, o executivo falou também sobre as tarifas recentes impostas ao Brasil pelos Estados Unidos. Para Mizultani, elas interferem nos produtos que Piracicaba exporta para os Estados Unidos, como o próprio etanol, o açúcar orgânico e a cota de açúcar nordestina que ia para os Estados Unidos.

Porém, apesar de reconhecer o prejuízo enorme para o país como um todo, ele assegurou que “elas não interferirão com relação às demissões aqui na Raízen”, afirma.

Muito ligado à cultura japonesa, Mizutani também é vice-presidente do Clube Nipo. A entidade tem como objetivo propagar a cultura japonesa em Piracicaba e região e o executivo tem muito orgulho da sua gestão – foi presidente até 2024.

Nos dias 26, 27 e 28, haverá a Festa da Primavera-Mostra da Cultura Japonesa, no Engenho Central. “Será maravilhoso. Teremos muitas atividades culturais, muita culinária, expositores de produtos geek e muitas novidades, como a culinária coreana”, anuncia.

A festa vai ser focada basicamente na culinária japonesa e haverá muitas atividades culturais no palco, como danças, músicas, o taikô, que são os tambores japoneses e também termos shows de ilusionismo, e festival de cosplay. Então, será muito legal e todos estão convidados. A entrada é franca e será no Engenho Central. Veja, abaixo, a entrevista na íntegra.

Fale um pouco de sua formação e como começou mundo da cana-de-açúcar? Formado pela Escola Politécnica da Universidade de SP, pós-graduado na FVG e curso de administração nos EUA na Kellogs University e veio para o setor sucroalcooleiro logo depois da formação como engenheiro de produção na Usina Costa Pinto como trainee em 1983 e toda a minha carreira ficou no setor sucroenergético. Desde a Costa Pinto, Santa Bárbara, Cosan, Raízen, participei fusões, aquisições e crescimento no setor. Também hoje sou conselheiro da Única (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) e também do Conselho de Administração do Centro de Tecnologia Canavieira. Sempre fui ligado ao setor sucroenergético.

O senhor é de Ribeirão Preto, mas, por sua atuação de destaque como executivo em um setor tão importante como o sucroalcooleiro já recebeu várias homenagens, como o título de cidadão paulistano. Cite quais foram esses títulos (quais foram as homenagens recebidas em Piracicaba?) Recebi várias homenagens, como o título de cidadão paulistano, em São Paulo, título de cidadão-emérito em Ribeirão Preto e em Piracicaba- título de cidadão piracicabano. Na Câmara, recebi destaque executivo no dia do aniversário do Legislativo e também homenagem no dia da comunidade japonesa. Recebi do Imperador do Japão, no consulado, em São Paulo, a Comenda de Ordem do Sol Nascente Raios de Prata pelo reconhecimento ao trabalho em que eu tenho feito na comunidade japonesa e também em aproximar através do etanol Japão e Brasil.

Gostaria de saber como está a reestruturação dos ativos da Raízen, a situação da venda das usinas e planos para o futuro? Eu não posso comentar nada a esse respeito por se tratar de um assunto estratégico da companhia. Temos visto os acompanhamentos nos meios de comunicação sobre a venda de algumas usinas da Raízen e ao mesmo tempo também a venda do ativo biológico -cana.

As recentes imposições de tarifas mais altas dos Estados Unidos têm prejudicado o setor de açúcar e álcool em nosso país? Com respeito às tarifas dos Estados Unidos, elas interferem nos produtos que nós exportamos para os Estados Unidos, como etanol, também o açúcar orgânico e a cota de açúcar nordestina que ia para os Estados Unidos. Realmente, prejudica o setor e o país como um todo.

Qual a projeção com essas tarifas dos EUA? Poderá haver demissões? Em valores, quanto será esse impacto? Sobre as tarifas dos Estados Unidos, elas não interferirão com relação às demissões aqui na Raízen.

Como o Brasil está posicionado hoje no setor sucroalcooleiro em nível mundial? Somos um país de ponta nessa área e somos o que mais produz e exporta açúcar. Com relação ao sucroenergético, em nível mundial, podemos dizer que nós temos o biocombustível que será o nosso combustível do futuro, que melhor se adequa à mitigação do efeito estufa com relação à emissão de carbono. Nós temos aqui um produto chamado etanol; o etanol é um combustível nosso do futuro e hoje é utilizado como mistura aqui na gasolina e a ideia é que isso se expanda para vários países. E já existem alguns países com mistura; nos Estados Unidos, hoje a mistura é de 10% e estão indo para 15% voluntariamente em alguns estados .na Índia, a mistura já alcança 20%. O Japão deve implementar essa mistura a partir de 2030 para 10% e hoje aqui nós temos aqui um blend de 30%. Além do etanol hidratado, que é colocado direto nos automóveis. Temos um futuro brilhante com relação essa meta de descarbonização - processo de redução ou eliminação das emissões de dióxido de carbono (CO2) e outros gases de efeito estufa (GEE) da atmosfera - no mundo e realmente o etanol faz um papel fundamental, não apenas no setor automobilístico, mas também no setor marítimo, de aviação e na indústria química.

Mudando de assunto, o senhor, como presidente do Clube Cultural Nipo-Brasileiro de Piracicaba, é bem atuante em divulgar a cultura japonesa em nossa cidade. Fale para nós o que está sendo feito atualmente e quais as novidades que vêm por aí...Fui presidente até 2024 e a partir de 2025 sou vice-presidente do Clube Nipo. Tenho trabalhado bastante com o objetivo de preservar a cultura nipo-brasileira, a cultura oriental. Pois, realmente isso é muito importante para que a gente possa preservar essa cultura para as futuras gerações.

Então, a Festa da Primavera deste ano terá muitas novidades... Temos feito muitas atividades: em junho agora, fizemos o “Japão na Praça” e em setembro, nos dias 26, 27 e 28, teremos a Festa da Primavera-Mostra da Cultura Japonesa no Engenho Central. Será maravilhoso. Teremos muitas atividades culturais, muita culinária, expositores de produtos geek e muitas novidades, como a culinária coreana. A festa vai ser focada basicamente na culinária japonesa e haverá muitas atividades culturais no palco, como danças, músicas, o taikô, que são os tambores japoneses e também termos shows de ilusionismo, e festival de cosplay. Então, será muito legal e todos estão convidados. A entrada é franca em um local maravilhoso que é o Engenho Central.

Comentários

Comentários