DIA DELAS

Mulheres ensinam como vencer as dificuldades

Por Erivan Monteiro | erivan.monteiro@jpjornal.com.br
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Fotos: Divulgação
Taiane suplanta cada quilômetro com a força que as mulheres carregam dentro de si
Taiane suplanta cada quilômetro com a força que as mulheres carregam dentro de si

No Dia Internacional da Mulher, celebrado neste sábado (8), o Jornal de Piracicaba compartilha a história de três atletas que superaram seus problemas para dar uma lição de vida e superação por meio de uma atividade esportiva. Em meio à dificuldade, elas encontraram no esporte uma forma de aliviar suas dores.

Taiane Evelaine dos Santos, de 33 anos, há um ano pratica o atletismo e vem se superando a cada desafio. Com apenas a visão esquerda, além de sequelas da tuberculose que teve na infância, ela suplanta cada quilômetro com a força que as mulheres carregam dentro de si.

A empresária Lucélia Cleri Gabriel Semmler, de 47 anos, foi diagnosticada com câncer de mama em 2021 e passou por todo o processo de tratamento - quimioterapia, queda do cabelo, cirurgia da retirada de mama, radioterapia, entre outros – sem largar o atletismo.

Já a nadadora Luise Marta Bauch, de 73 anos, nunca tinha nadado ou entrado em uma piscina funda até os 63 anos de idade. Dez anos depois, ela é reconhecida em Piracicaba como uma das principais atletas de natação em sua faixa etária.

SEM LIMITES
A atleta Taiane Evelaine dos Santos, de 33 anos, tanto lutou que conseguiu superar seus problemas de saúde e começou a se exercitar. Iniciou há cerca de um ano para se recuperar de um pé fraturado, mas e logo foi pegando gosto pela corrida.

“Eu tive tuberculose na infância e fiquei com sequelas (chegava a usar 3 bombinhas por mês). Então, correr era uma coisa impossível para mim. E ainda tem a questão de eu ter uma deficiência visual (visão monocular congênita); tenho apenas a visão esquerda. Então, pensar em correr era uma coisa muito difícil”    .

Mas tudo mudou quando conheceu o “Kazamigas”, um grupo de mulheres corredoras. “Comecei na atividade física com 97 kg e hoje estou com 79 kg”, orgulha-se.

Em outubro do ano passado, Taiane faz primeira prova, de 5 km. “Só Pensava em duas coisas: focar no percurso e concluir a prova. Como não tenho uma visão, foquei no trajeto, já que não tive corredor-guia no dia. Era superação e determinação para eu concluir a prova; agradeci a Deus pelo fôlego de vida”, declarou.

Em dezembro de 2024, ela participou da 8ª volta USP e ficou em segundo lugar da categoria PCD. “Tive ajuda de uma grande amiga personal, a Gisele Monteiro, que me acompanha em tudo.”

Já no último dia 6 de fevereiro, Taiane participou de uma primeira prova de 6 km. “Eu falo que cada corrida é uma superação para mim. Me orgulho de cada conquista”, declarou. “A minha deficiência não me limita; me impulsiona. Hoje meu desejo é levar a Inclusão nas corridas”, complementou a atleta, que no próximo dia 16 fará a primeira prova 10 km.

SEM DESÂNIMO
A empresária Lucélia Cleri Gabriel Semmler, de 47 anos, foi diagnosticada com câncer de mama em 2021 e passou por todo o processo de tratamento -quimioterapia, queda do cabelo, cirurgia da retirada da mama, radioterapia, entre outros procedimentos, sem largar sua paixão: o atletismo.

“Passar por este tratamento é muito difícil, ainda mais sendo diagnosticada com um tipo de câncer de mama agressivo e em estágio avançado. Durante o tratamento a minha fé e o amor das pessoas foram muito importantes, mas a atividade física fez toda diferença”, reconhece.

Lucélia não largou o atletismo durante todo o tratamento de saúde, “pois isso me fazia bem, tornava o processo mais leve, os sintomas eram menos agressivos devido a atividade física.”

“A corrida faz me sentir muito feliz, faz me sentir uma mulher ponderada, que posso tudo que eu quiser. Que meu corpo é poderoso. Na minha mente eu sou capaz de tudo quando finalizo um treino de corrida”, declara.

Depois do tratamento, a empresária realizou o sonho de ser maratonista. “Correr 42 km foi a vitória de vida, pois se eu consegui depois de um tratamento agressivo é porque eu posso tudo que o meu corpo permitir”, entende. “O câncer não veio para me adoecer e sim para me fortalecer.”

MEGACAMPEÃ
Luise Marta Bauch, atualmente com 73 anos, começou no esporte pelo atletismo, em 2013, por orientação médica, pois estava num estresse muito grande e entrando em colapso nervoso. Dois anos depois, em 2015, já correndo 10 km e se preparando para os 21 km, ela teve um problema no joelho e foi proibida de praticar esse esporte por cerca de três meses.

Foi aí que médico recomendou a natação. “Porém, eu nunca tinha entrado numa piscina funda e nunca tinha nadado. Dei a minha primeira braçada de crawl aos 63 anos; com 64 nadei no mar pela primeira vez e não parei mais”, declarou.

Em 2017, aos 65 anos, a atleta paulistana e radicada em Piracicaba foi convidada a integrar o “Age Group” da Seleção Brasileira no Aquatlon (1 km nadando 5 km correndo) no Mundial do Canadá. “Fiquei entre as top 10 de 22 atletas entre 65-70 anos”, lembra.

Ainda foi aos Mundiais de 2018 (Dinamarca) e de 2019 (Espanha), sempre entre as top-10, além de ser a latino-americana de mais idade nessas competições.

“Em 2021, passei a treinar com o técnico Samir Barel, uma referência em nado em águas abertas e hoje sou maratonista aquática, pois nado provas de 10 km. Em breve, serei ultramaratonista aquática nadando provas de mais de 15 km”, revela a atleta.

Um outro feito espetacular da atleta foi em 2023, quando nadou a prova na ilha de Tosantos, no meio do Oceano Atlantico, entre Portugal e Brasil. “Fiquei com o bronze entre atletas de 55 anos e fui homenageada como a atleta de mais idade a ter nadado aquela prova.”

Já em 2024, ela terminou o ano como campeã em todas as etapas do “Aquamundo”, em provas de 8 km e 10 km e ainda fechou o ano como campeã Paulista em provas de 400 livre e 100 peito em piscina.

Agora, entre os dias 16 e 22 de março, Luise vai nadar o desafio do Bisa (Big Island Swimming Association), em revezamento com seu filho, Tiago André Bauch.  “Estou inscrita para nadar 40 km em 4 dias, no Rio São Francisco, entre Alagoas e Sergipe”, contou.

“E, se conseguir patrocínio, irei a Singapura, no Mundial de Maratona Aquática ou ao Campeonato Sul-Americano Máster em Santiago, no Chile, em novembro”, finalizou. Disposição é o que não falta!

Luise começou nadar aos 63 anos

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