Nos últimos anos, os microempreendedores individuais (MEIs) têm demonstrado maior disposição em investir em plataformas digitais para expandir seus negócios. Um estudo recente do Sebrae revela que 39% dos MEIs no Brasil destinam recursos para promover seus produtos e vendas online. Embora esse número seja inferior ao de micro e pequenas empresas (MPE), que investem 59% no digital, os MEIs reconhecem a importância dessa estratégia. O levantamento também destacou que o WhatsApp é o canal de comunicação preferido pelos empreendedores.
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O analista de Pesquisa e Gestão do Conhecimento do Sebrae, Kennyston Lago, destacou o potencial das plataformas digitais no atual cenário de crescimento. “As plataformas digitais são um vasto campo de oportunidades. O avanço da tecnologia, o aumento da confiança do consumidor nas compras on-line e o crescimento de soluções financeiras acessíveis impulsionarão ainda mais esse setor nos próximos anos", avaliou Lago.
A pandemia da Covid-19 fez Carina Rochelle, dona de um ateliê de perfumaria artesanal com velas, migrar para o Instagram como vitrine para seus produtos. "A conexão com o público se tornou essencial, e as redes sociais passaram a ser um dos meus principais canais de interação. Eu já usava o Instagram, mas durante o isolamento, percebi a necessidade de aumentar as postagens, diversificar o conteúdo e humanizar a marca", explicou Carina.
Ela também destacou que o Instagram foi estratégico para seu negócio. "Me permitiu alcançar clientes de todo o Brasil", afirmou. "A possibilidade de criar anúncios segmentados, interagir diretamente com os consumidores e mostrar meu produto de forma visual e criativa ampliou meu alcance de forma inesperada", completou.
Dona de uma salgaderia, Juliana Mazieri também considera a presença constante no Instagram e Facebook essencial para atrair novos clientes e engajar os antigos com fotos atrativas dos seus produtos. No entanto, ela destaca que o WhatsApp foi fundamental para o sucesso de seu negócio. "Conseguimos fidelizar e manter o cliente atualizado sobre nossos produtos, além de transmitir mais confiança e credibilidade", disse Juliana.
“Quem não se adapta, fica para trás”
As redes sociais permitem que pequenos varejistas alcancem um público muito maior do que os meios tradicionais de comunicação e marketing, como TV, rádio e outdoor, avaliou o professor de Marketing e Estratégias, Antonio Carlos Giuliani. “É importante planejar postagens bem elaboradas, combinadas com links diretos para um e-commerce ou chamadas para visita à loja física, incentivam os clientes a realizarem. Pode-se afirmar que, as redes sociais são ferramentas poderosas para pequenos empreendedores”, avaliou Giuliani.
Ele salientou que, no contexto atual, ter uma presença digital bem definida não é apenas uma sobrevivência, mas entender que os consumidores mudaram seus hábitos de compra. “Eles pesquisam e compram online antes de tomar decisões de compra. 80% das compras começam com uma busca no Google. Não estar no digital significa como seu negócio será encontrado por novos clientes”, salientou. “O varejo está mudando rapidamente e quem não se adapta, fica para trás. Estar não é apenas uma tendência, mas uma questão de adaptação ao futuro do varejo”, reforçou.
O especialista ainda exemplificou que o WhatsApp é uma ferramenta “poderosa” para os pequenos varejistas, pois permite comunicação direta, rápida e personalizada com os clientes. “Ao manter um histórico de conversas, os varejistas podem segmentar clientes com base em interesses e comportamentos de compra permitindo o envio de ofertas direcionadas, aumentando as chances de conversão. O WhatsApp é uma ferramenta acessível e altamente eficaz para aumentar as vendas e melhorar o relacionamento com os clientes no pequeno varejo. Seu uso permite atendimento ágil, personalização, facilitação do processo de compra e fidelização, tornando-se um diferencial competitivo essencial para os varejistas que desejam crescer no mercado”, destacou Giuliani.
Influenciadores como estratégia para o empreendedorismo
O uso de influenciadores digitais pode ser uma estratégia viável e extremamente eficaz para pequenos negócios, desde que seja planejado de forma cuidadosa e alinhado aos objetivos da marca. Com uma abordagem bem definida, é possível alcançar o público-alvo de maneira mais direta e autêntica, ampliando a visibilidade e gerando engajamento real. A criadora de conteúdos digitais, Samanta Godoy, explicou que se associar a um influenciador digital alinhado ao seu nicho fortalece a credibilidade da marca, pois os seguidores confiam nas recomendações desses profissionais.
“Influenciadores digitais criam conteúdos e utilizam o marketing para transmitir uma mensagem mais envolvente. Com isso, ocorre uma conexão com seus seguidores, o que pode resultar em maior engajamento e interação com a marca”, afirmou. Ela ainda destacou que a “chave está em escolher influenciadores que compartilhem valores e interesses semelhantes ao negócio, garantindo que a parceria seja genuína e impacte positivamente na percepção da marca”. “Há uma possibilidade de aumento nas vendas, no entanto, é importante esclarecer que um influenciador digital não é um vendedor. Ele atua como alguém que influencia a percepção sobre a marca, mas a decisão de compra dos seguidores, seja ela de adquirir ou não o produto, permanece com eles. O papel do influenciador é despertar o interesse, mas a conversão em vendas depende de vários outros fatores, como a necessidade do consumidor, o preço, a qualidade e a experiência oferecida pela marca”, reforçou Samanta.