EFEITO TRUMP

Taxa sobre aço pode gerar desemprego na região de Piracicaba

Por Reinaldo Diniz | Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 2 min
Pixabay
Os EUA são os maiores importadores de aço brasileiro.
Os EUA são os maiores importadores de aço brasileiro.

A taxa de 25% imposta pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, sobre as importações de aço pode impactar a economia e a indústria brasileira.

Representantes do setor industrial, em entrevista ao Jornal de Piracicaba, destacaram que, com a nova medida, o Brasil precisará buscar novos mercados para escoar sua produção, o que pode reduzir a fabricação e gerar cortes de empregos. A queda nas exportações também pode enfraquecer o real frente ao dólar.

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Os EUA são os maiores importadores de aço brasileiro, e em 2024, o Brasil foi o segundo maior fornecedor, com 4 milhões de toneladas exportadas, totalizando US$ 3 bilhões. Essa nova decisão reverte um acordo firmado no primeiro mandato de Trump, em 2018, que estabelecia cotas para a exportação de aço brasileiro para o mercado norte-americano.

“Com as tarifas, o aço do Brasil fica mais caro nos Estados Unidos, o que reduz as vendas, pois se torna menos competitivo. Além disso, isso pode gerar uma guerra comercial. O Brasil pode retaliar com tarifas sobre produtos dos Estados Unidos, o que criaria ainda mais problemas”, explica o gerente regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), Homero Scarso. O dirigente ainda ressalta que, embora as exportações de aço para o país norte-americano não sejam significativas na região de Piracicaba, a redução nas vendas pode resultar na demissão de trabalhadores do setor, afetando assim a economia regional.

Em relação à produção, o presidente do Simespi (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas, de Material Elétrico, Eletrônico, Siderúrgicas e Fundições de Piracicaba), Erick Gomes, observa que, normalmente, as indústrias e usinas de aço optam por fechar ou desligar os fornos para ajustar a oferta à demanda. "Isso é feito para evitar que o preço caia drasticamente no mercado interno, o que prejudicaria a indústria. Portanto, de início, é isso que provavelmente ocorrerá", destaca Gomes.

Ele lembra que o Brasil é o maior produtor de minério de ferro, matéria-prima essencial para a produção de aço. "Eles podem taxar o aço, mas se o Brasil parar de enviar minério de ferro para os Estados Unidos e direcionarem as exportações para outros mercados, os Estados Unidos não terão como adquirir o material necessário para produzir o aço. Sem o minério, não conseguirão transformar o ferro em aço", sugere Gomes.

O governo brasileiro afirmou estar aberto ao diálogo com os Estados Unidos. "A alíquota imposta é válida para o mundo inteiro, não foi discriminatória. Vamos procurar o governo norte-americano para buscar a melhor solução", disse o vice-presidente Geraldo Alckmin.

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