ARTIGO

Testosterona na menopausa: o hormônio esquecido


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Converso com muitas mulheres sobre essa fase da vida feminina que é a menopausa. Afinal, grande parte dos meus alunos são mulheres. A menopausa é um processo natural na vida de toda mulher, marcado por mudanças hormonais significativas que podem afetar o bem-estar físico e emocional. Embora o estrogênio seja frequentemente o foco das discussões sobre terapias hormonais, a testosterona, um hormônio geralmente associado aos homens, desempenha um papel crucial na saúde feminina e merece atenção especial durante essa transição, segundo pesquisas recentes.

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Um artigo recente publicado no periódico British Journal of General Practice, intitulado "Should we be prescribing testosterone to perimenopausal and menopausal women? A guide to prescribing testosterone for women in primary care", afirma que antes da menopausa, as mulheres produzem testosterona em quantidades superiores às de estrogênio. Com o avanço da idade ou após procedimentos como a remoção dos ovários, os níveis de testosterona diminuem gradualmente ou abruptamente, respectivamente. Essa redução pode levar a sintomas como fadiga, diminuição da massa muscular, alterações cognitivas, perda de densidade óssea e, notavelmente, redução do desejo sexual.

Essa, aliás, é uma das principais queixas das mulheres. Mas existe alguma solução? Estudos indicam que a terapia com testosterona pode ser benéfica para mulheres na pós-menopausa que enfrentam diminuição da libido sem causa aparente. Além de melhorar a função sexual, a reposição de testosterona tem o potencial de aumentar a energia, a motivação e a concentração, contribuindo para uma melhor qualidade de vida. No entanto, as diretrizes do National Institute for Health and Care Excellence (NICE) afirmam que a suplementação de testosterona pode ser considerada para mulheres na menopausa com baixo desejo sexual se a terapia de reposição hormonal (TRH) sozinha não for eficaz.

Existem ainda outras recomendações, como as da British Menopause Society (BMS), que aconselham que essa indicação pode ser estendida para incluir mulheres na menopausa com baixo desejo sexual e muito cansaço.

No entanto, é importante abordar essa terapia com cautela e não achar que é o supra sumo do envelhecimento. A segurança e a eficácia da terapia com testosterona em mulheres ainda estão sendo investigadas, especialmente em relação ao uso prolongado. Possíveis efeitos colaterais incluem acne, crescimento excessivo de pelos e alterações no perfil lipídico. Além disso, a terapia com testosterona não é recomendada para mulheres com doenças cardíacas, hepáticas ou histórico de câncer de mama ou útero. Não se deixe influenciar apenas pelo que atrizes ou influenciadoras compartilham nas redes sociais, pois cada organismo responde de maneira única.

A discussão sobre a testosterona na saúde feminina está apenas começando, e o reconhecimento de seu papel na menopausa pode representar um avanço significativo na medicina e no bem-estar das mulheres. Cabe aos profissionais de saúde, especialmente aos médicos, estarem atentos a essa possibilidade terapêutica e garantirem que cada mulher tenha acesso a um tratamento personalizado e eficaz, mas sem exageros. A revolução hormonal feminina está apenas começando, e a testosterona pode ser a chave para um envelhecimento mais saudável e pleno. Mas lembre-se: sempre converse com seu médico. Ele é a melhor referência para te orientar. Até a próxima!

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