O aumento na incidência de acidentes com lagartas está associado ao desmatamento, queimadas e ao extermínio de predadores naturais, forçando essas espécies a buscar refúgio em áreas ocupadas por humanos. Nesta época de estiagem, associada ao forte calor em nossa região, a tendência é que o número desses acidentes aumentem, além do que já vem crescendo anualmente.
- Golpe do Pix Devolvido: entenda e veja como não cair
- Sílvio Almeida: o que se sabe sobre denúncias de assédio sexual
- Alex Madureira tem candidatura aprovada pela Justiça Eleitoral
A Secretaria de Saúde de Piracicaba registrou 14 acidentes com lagartas até 4 de setembro de 2024, somando-se aos 21 casos de 2022 e, mais do que o dobro, 53 no ano seguinte, em 2023. Apesar do aumento no número de acidentes, não houve óbitos no período. Em 2023, mais de 340 mil acidentes com animais peçonhentos foram notificados no Brasil, destes, 6.906 causados por lagartas. Ocorreram 451 mortes, das quais apenas quatro foram causadas por envenenamento por lagartas, que são menos comuns e menos letais, mas desconhecidos por grande parte da população.
Acidentes com lagartas, chamados de erucismo, ocorrem quando as cerdas urticantes do animal entram em contato com a pele, causando envenenamento. As lagartas, que são uma das fases do ciclo de vida de mariposas e borboletas, liberam veneno apenas na fase larval de algumas espécies de mariposas. A exceção é a mariposa fêmea adulta do gênero Hylesia, que possui cerdas urticantes no abdômen, capazes de causar dermatite ao entrarem em contato com a pele.
Entre as lagartas mais perigosas estão as do gênero Lonomia, que têm grande relevância para a saúde pública, pois podem causar acidentes graves, incluindo hemorragias. Essas lagartas pertencem às famílias Megalopygidae e Saturniidae, conhecidas como "lagartas cabeludas" e "espinhudas", respectivamente. A Lonomia é responsável por acidentes hemorrágicos e possui uma ampla distribuição no Brasil.
O Brasil é o único país que produz o Soro Antilonômico (SALon), utilizado no tratamento de envenenamentos graves por Lonomia. Acidentes geralmente ocorrem quando uma pessoa toca acidentalmente uma lagarta, muitas vezes enquanto manuseia vegetação ou troncos de árvores. O contato com as cerdas urticantes pode causar dor intensa, que se irradia para outras partes do corpo. Em casos graves, podem ocorrer manifestações hemorrágicas e complicações sistêmicas.
Para prevenir acidentes, recomenda-se observar bem o ambiente antes de manusear vegetação e utilizar luvas ao trabalhar em áreas silvestres. Tratamentos para acidentes com lagartas variam conforme a espécie envolvida, mas compressas frias ou geladas são eficazes para alívio da dor. Em casos de suspeita de envenenamento por Lonomia, o paciente deve ser encaminhado ao serviço de saúde mais próximo para avaliação e, se necessário, administração do soro antilonômico.