Anaflávia Martins Gonçalves foi responsabilizada pela morte de três membros de sua própria família em um caso ocorrido no ABC Paulista. Outros quatro envolvidos no crime já haviam sido julgados e condenados anteriormente.
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O julgamento ocorreu no Fórum de Santo André, nesta terça-feira (27), na Grande São Paulo, onde Anaflávia foi levada a júri popular. Ela foi considerada culpada pela morte dos pais, Romuyuki Veras Gonçalves, de 43 anos, e Flaviana de Meneses Gonçalves, de 40, além de seu irmão, o estudante Juan Victor Gonçalves, de 15 anos. A maioria dos sete jurados votou pela condenação de Anaflávia, considerando-a culpada pelos assassinatos dos três familiares.
A condenação incluiu os crimes de roubo, homicídio doloso qualificado (por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas), ocultação de cadáver e associação criminosa. A sentença foi proferida pelo juiz Lucas Tambor Bueno. Anaflávia, que já estava presa durante o processo, foi condenada a uma pena que, segundo a legislação brasileira, tem como limite máximo de cumprimento 40 anos de prisão.
Durante o julgamento, quatro testemunhas foram ouvidas e, em seu interrogatório, Anaflávia admitiu participação no roubo, mas negou envolvimento nos assassinatos. O julgamento foi uma repetição do júri realizado em junho de 2023, que havia sido anulado pelo Tribunal de Justiça (TJ) a pedido do Ministério Público (MP). Na ocasião, Anaflávia havia sido condenada apenas pelos assassinatos dos pais, mas foi absolvida pelo homicídio do irmão.
A Promotoria argumentou que houve um erro por parte dos jurados ao inocentarem Anaflávia pela morte de Juan Victor, levando o TJ a determinar um novo julgamento. O Ministério Público sustentou que Anaflávia planejou o crime com a ajuda de Carina Ramos de Abreu, sua namorada, e outros cúmplices: os irmãos Juliano e Jonathan Fagundes Ramos, primos de Carina, e Guilherme Ramos da Silva, amigo dos irmãos.
De acordo com a acusação, o grupo tinha como objetivo inicial roubar dinheiro das vítimas, mas acabou decidindo matá-las. Três homens armados (Juliano, Jonathan e Guilherme) invadiram a residência da família com a ajuda de Anaflávia e Carina. Imagens de câmeras de segurança capturaram a movimentação do grupo na casa, localizada em um condomínio fechado em Santo André.
As investigações revelaram que os criminosos procuravam R$ 85 mil em um cofre, mas como não encontraram o valor, decidiram roubar outros pertences e eliminar as vítimas. Romuyuki, Flaviana e Juan Victor foram mortos a golpes na cabeça durante o assalto. No dia seguinte, os corpos foram encontrados carbonizados dentro do carro da família, abandonado em uma área de mata em São Bernardo do Campo.
Carina e Guilherme também foram condenados no julgamento realizado em junho de 2023. Carina recebeu uma pena de 74 anos, 7 meses e 10 dias de prisão, enquanto Guilherme foi condenado a 56 anos, 2 meses e 20 dias. Ambos negaram envolvimento nos assassinatos, alegando participação apenas no roubo. No entanto, os irmãos Juliano e Jonathan confessaram o roubo, mas alegaram que a ideia de matar a família partiu de Anaflávia. Eles também foram condenados em agosto, recebendo penas de 65 e 56 anos de reclusão, respectivamente.