O peeling de fenol é um tratamento eficaz para rugas, cicatrizes e flacidez da face, pois promove a renovação celular e gera um aspecto liso e rejuvenescido na pele. Apesar disso, ele é agressivo, causa queimaduras e deve ser realizado por um médico capacitado.
O procedimento ganhou repercussão com a morte do empresário de SP Henrique Silva Chagas que foi submetido a um peeling de fenol e teve complicações.
A esteticista e influencer Natalia Fabiana de Freitas Antonio, que se identifica nas redes sociais como Natalia Becker, prestou depoimento à Polícia Civil de São Paulo nesta quarta-feira (5). Ela, responsável pelo procedimento estético, foi indiciada por homicídio com dolo eventual. A mulher disse à polícia que não tinha intenção de causar a morte do paciente.
O procedimento consiste na aplicação de uma solução composta por óleo de cróton e fenol, que pode ser diluído em várias concentrações distintas e pode se tornar mais ou menos superficial. Após a aplicação, ocorre uma queimadura e um desprendimento da epiderme - camada superficial da pele, da derme, ou ambas, que varia conforme a profundidade do peeling.
Nadine Vandresen, médica dermatologista, explica que a concentração do fenol utilizada no procedimento varia conforme a área aplicada. "O fenol pode ter várias concentrações na fórmula, que devem ser respeitadas para que não exista risco, na região dos olhos, por exemplo, utilizamos uma concentração de 0,2 de formol".
De acordo com a dermatologista, "o fenol é uma substância nefrotóxica, hepatotóxica e cardiotóxica, fazendo com que o procedimento seja contraindicado para quem tem problemas nos rins, fígado e coração, pois pode provocar arritmia, parada cardíaca e morte súbita, caso seja feito por um médico não habilitado. E além disso, pacientes com pele morena devem receber um tratamento prévio antes de realizar o procedimento".
"Conforme a concentração da substância e a área tratada, é necessário que o paciente faça exames de sangue e eletrocardiograma prévios. Além disso, ele pode ser feito em ambulatório, caso a concentração da substância for pequena, mas os batimentos cardíacos do paciente devem ser monitorados a todo instante. Caso ao contrário, e o procedimento for demorado e em alta concentração, o paciente deverá ser levado ao centro cirúrgico", afirma a dermatologista.
O período de recuperação do procedimento é demorado e a exposição solar deve ser evitada. O rosto do paciente fica com aspecto de queimado e os efeitos locais podem variar de edema, eritema, bolhas e secreção amarelada. Após cerca de quinze dias, ocorre a descamação da pele, durante esse período, é necessário o acompanhamento médico diário. "A recuperação é um pouco difícil. Nos primeiros dez a quinze dias, o paciente usa uma máscara para proteger o rosto e estamos em contato auxiliando ele diariamente. Quando essa máscara é retirada, a pele fica com aspecto bem avermelhado que vai diminuindo com o tempo e o rejuvenescimento é realmente muito intenso", finaliza Nadine.
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