ESPORTE

Bernardinho volta manso à seleção de volei

Nada de explosões e gritos com os jogadores nos pedidos de tempo e tampouco pulos de desespero e mordidas de raiva na mão a cada ponto do adversário

Por Eduardo Scolese | 24/05/2024 | Tempo de leitura: 3 min
da Folhapress

Mauricio Val/FVImagem/CBV

Bernardinho voltou ao comando da seleção após oito anos em um figurino diferente
Bernardinho voltou ao comando da seleção após oito anos em um figurino diferente

Na noite da última terça-feira (21), no tradicional palco do vôlei Maracanãzinho, Bernardinho, 64, voltou ao comando da seleção após oito anos em um figurino diferente. Nada de explosões e gritos com os jogadores nos pedidos de tempo e tampouco pulos de desespero e mordidas de raiva na mão a cada ponto do adversário.

Bernardinho falou manso, buscou acalmar os jogadores a cada parada e quase não reclamou diante de tantos erros individuais e coletivos na dura derrota para os cubanos - menos pelo placar, de 3 sets a 1, e mais pelo nítido domínio do adversário na primeira rodada da Liga das Nações.

O técnico bicampeão olímpico (Atenas-2004 e Rio-2016) repetiu a estratégia nesta quinta-feira (22) na vitória por 3 a 2 contra os argentinos no mesmo ginásio. Esbravejou em alguns momentos, mas priorizou tapinha nas costas e carinho na cabeça dos jogadores, bateu palmas à beira da quadra e, em alguns momentos, só observou os comandados trocarem impressões nos tempos técnicos.

A Liga das Nações agora em curso é uma corrida mundial para as últimas cinco vagas olímpicas, mas vale bem menos para o Brasil, já classificado para Paris. Por isso, como Bernardinho tem repetido, o torneio será usado de ponta a ponta como preparação para os Jogos. Isso ajuda a explicar um Bernardinho ainda calmo no banco de reservas.

No ciclo olímpico anterior, o Brasil voou na Liga das Nações de 2021, atropelou a favorita Polônia na final e semanas depois decepcionou em Tóquio. Capengou na primeira fase, na semifinal e na disputa pelo bronze. Não convenceu em nenhum momento e saiu do Japão sem medalha, o que havia ocorrido pela última vez apenas em Sydney-2000.

Agora, entre a sua reestreia e uma eventual final olímpica, serão apenas 82 dias, prazo curtíssimo para mudanças drásticas em grupo no qual Bernardinho priorizou a base deixada por seu antecessor, Renan Dal Zotto.

Dono de sete medalhas olímpicas, sendo seis como técnico e uma como jogador, Bernardinho aposta na experiência, com pouca margem para surpresas até a convocação final dos 12 jogadores para Paris.

Parecem definidos os dois levantadores (Bruno e Cachopa), os ponteiros Lucarelli e Leal, os irmãos Alan e Darlan como apostos, os centrais Lucão e Flávio e o líbero Thales. Restariam então apenas três vagas.

Quase que definir todo o grupo olímpico à essa altura, de forma antecipada, é também uma forma de gestão, uma obsessão daquele antigo Bernardinho. Joga limpo com o grupo: a Liga das Nações é um torneio preparatório para as Olimpíadas e vale ainda para a definição das últimas vagas da seleção.

Bernardinho volta sem uma fartura de talentos de outros tempos. Chegará a Paris em uma segunda prateleira de favoritos, atrás por exemplo da Polônia de Leon, da Itália de Michieletto (que ainda briga por uma vaga) e da dona da casa França de Ngapeth.

Olimpíada é uma competição de tiro curto

Bernardinho parece apostar na paciência, no planejamento e em uma mistura de outros ingredientes para colocar o Brasil com chances de tetracampeonato: evolução constante dentro da Liga das Nações, experiência de um grupo quase fechado e efeito gatilho dos Jogos, onde muitas vezes favoritos ficam pelo caminho e um time encaixa de repente e corre por fora até o Ouro. A ver se até lá teremos um técnico manso ou enfurecido à beira da quadra.

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