O MUNDO É DELAS

Delegação brasileira em Paris terá mais mulheres

Por Erivan Monteiro | erivan.monteiro@pjornal.com.br
| Tempo de leitura: 3 min
Ricardo Bufolin/CBG
Nicole Pircio: ‘É uma grande honra ser uma dessas mulheres’
Nicole Pircio: ‘É uma grande honra ser uma dessas mulheres’

O Time Brasil será dominado pelas mulheres nos Jogos de Paris-2024. No último levantamento divulgado pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro) sobre os atletas já garantidos no torneio da França, o país já contava 211 atletas, sendo 120 mulheres e apenas 74 homens. Além disso, o país tem sete vagas no hipismo, cujas disputas são mistas, e dez atletas sem índice podem ser convocados na natação para compor os revezamentos classificados até agora.

A expectativa é que, até julho, quando a competição tem início, esse número de mulheres aumente. Isso porque há ainda 20 modalidades na fase de classificação e esportes como tênis, com a Bia Haddad, e skate, com Rayssa Leal, devem garantir mais vagas para a delegação brasileira.

Com o grande número de mulheres, o Brasil deve ter mais rostos femininos no pódio neste ano. Em Tóquio, em 2021, o Brasil conquistou 21 medalhas – sendo 7 ouros, 6 pratas e 8 bronzes, terminando em 12º lugar. Deste total, as mulheres foram responsáveis por 9 medalhas (3 ouros, 4 pratas e 2 bronzes).

Além do protagonismo feminino, a imprensa especializada aponta que o grande nome do Time Brasil na capital parisiense também será uma mulher: Rebeca Andrade, segundo os jornalistas, tem tudo para brilhar na Cidade Luz e trazer todos os holofotes para si, com medalhas e pódios.

“É uma grande honra ser uma dessas mulheres. E cada vez mais vem ficando mais claro a força e capacidade das mulheres”, disse a atleta piracicabana Nicole Pircio, da ginástica rítmica, que vai para sua segunda olimpíada.

“Esse marco prova o quanto somos capazes e merecedoras. E também se torna exemplo para todas as pessoas de que podemos realizar o que almejamos com trabalho e muita garra, persistência e disciplina”, completou a ginasta.

Outra atleta de Piracicaba que vive a expectativa de ir aos Jogos é a ponta Mariana Costa, de 31 anos, do handebol feminino. O time já tem vaga garantida e a paulistana que começou no esporte na Noiva da Colina quando tinha 10 anos vive a expectativa de ser uma das convocadas.

O equilíbrio entre homens e mulheres nos Jogos é uma briga antiga. Para os Jogos de Paris, uma das recomendações de um projeto lançado pelo COI (Comitê Olímpico Internacional), em 2017, é que exista o mesmo número de vagas para homens e mulheres e a mesma quantidade de disputas por medalhas.

'ANO A ANO'

Radicada em Piracicaba, a ex-atleta olímpica Débora Nunes foi aos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, quando a grande maioria da delegação brasileira era formada por atletas homens. O curioso, no entanto, é que em seu esporte, o taekwondo, teve mais mulheres.

“Em 2008, não estava sendo muito abordado a questão do feminismo e essa ênfase que tem hoje do empoderamento feminino. Mas nessa olimpíada, tivemos mais participantes brasileiros homens do que mulheres”, lembrou.

“Essa questão não era muito enfatizada, até porque, como sabemos, as mulheres foram ganhando espaço ano a ano. No taekwondo tivemos duas mulheres comigo e apenas um homem. Mas não considero isso um mérito. Acho que a soma é benéfica ao país”, complementou Débora.

O fato é que as mulheres lutaram muito para ter seu direito de competir nos Jogos Olímpicos. Na Era Moderna, marcada pelos jogos em Atenas, no ano de 1896, as mulheres ainda não podiam competir, pois, acreditava-se que elas não tinham preparo físico adequado.

Quatro anos depois, porém, elas começaram a fazer história: a tenista britânica Charlotte Reinagle Cooper (1870-1966) foi a primeira mulher a conquistar uma medalha de ouro nos Jogos. Charlotte participou das Olimpíadas de Paris em 1900.

A ginasta Larisa Semyonovna Latynina (1934), nascida na Ucrânia, mas que representava a União Soviética, participou dos Jogos de Melbourne (1956), de Roma (1960) e de Tóquio (1964). Larisa foi a mulher que mais conquistou medalhas na história da olimpíada. Foram 18 no total, sendo 9 de ouro.

No Brasil, a primeira mulher a participar das Olimpíadas foi Maria Lenk, nos Jogos de Los Angeles, em 1932, com apenas 17 anos. Maria Emma Hulga Lenk Zigler (1915-2007) nasceu em São Paulo e, mesmo não tendo ganhado medalhas olímpicas, é considerada pioneira da natação moderna.

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