ARTIGO

Carta para Rita Lee

08/05/2024 | Tempo de leitura: 3 min

Foto: reprodução

Alô, alô, Rita Lee. Aqui quem fala é da Terra. Já faz um ano que você pegou seu disco voador, deu tratos à bola e saiu por aí. Aposto que a viagem está sendo tranquila, com seus novos amigos marcianos. Finalmente, vivendo à la Jetsons enquanto nós seguimos Flintstones forever.

Imagino você radiante, apesar de tão longe desse mundinho azul, que ficou tão chinfrim sem você.

Por aqui, as coisas andam na mesma ladainha. Pra variar, estamos em guerra. Aquela mesma egotrip que já vimos de poderosos velhordas querendo mais e mais poder. Filminho ruim em repeteco, você sabe bem!

A gente segue dando um duro danado, remando contra a maré. E que maré!

A natureza tem dado as caras, mais uma vez, para mostrar para gente quem manda no pedaço e que somos nós os culpados pelo pandemônio que vemos todos os dias arrasar cidades inteiras.

A Nave Terra, antes cheia de natureza, está despedaçada e pede socorro. Aposto que aí do alto você consegue ver como o planetinha tá menos verde e mais cinzento.

O caos contra o meio-ambiente não estampa as capas de jornais e os negacionistas seguem turvando o que está na frente dos olhos deles. É, daqui para frente é ladeira abaixo! Cada vez mais down no high society.

Você iria ficar muito p*** ao presenciar as barbaridades que o ser humano anda aprontando.

Eu sei, você já estava cansada de saber que essa história de ser humano não daria muito certo, não é mesmo? O Brasil é tão grande, país doido esse, como você já dizia.

Hey, Ritz, mas nem tudo tá ruim, viu. O musical sobre sua Autobiografia saiu e teve lotação esgotada! Incrível, né? Ah, e sua Outra Autobiografia fez e faz um sucesso danado.

A gente sofreu lendo o seu relato, mas ele tem sido poderoso. Acredita que parei de fumar logo depois que li? É a Santa Rita de Sampa operando milagres.

Você ficaria feliz de ver quanta garotada nova segue escutando suas músicas e cantarolando pelas ruas. E muita gente tem feito questão de te homenagear nos palcos da vida.

Rita Lee virou sinônimo de tanta coisa feliz! Em São Paulo, muitos grafiteiros fizeram seu rosto iluminar ruas e avenidas. Falando nisso, conforme o seu desejo declarado, você já ganhou um nome de rua lá na cidade de Jandira. Também virou nome de parque dentro do parque olímpico da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Se tudo der certo, seu nome também estampará o seu parque favorito, o Ibirapuera, e São Paulo poderá ter um dia dedicado só pra você!

No Butantã, uma víbora-de-lábios-brancos -- azulzinha como seus olhos e com olhos vermelhos como seus antigos cabelos -- ganhou o seu nome: Rita Lee! Garanto que você ia amar vibrar sua língua na mesma velocidade que de sua xará ao encontrá-la, igual fazia quando cantava Erva Venenosa.

Ah, Rita, se você pudesse ver o quanto estamos com saudades. Falta você para tirar essa inhaca rançosa de seriedade deste mondo cane. Aquele seu jeito maroto que soltava uma piada como uma bufa no meio das madames aprumadas. Que jogava a realidade na nossa cara de maneira tão sutil que a gente ria, para depois entender que era sério.

“Brinque de ser sério… e leve a sério a brincadeira.”

Parece até que Chico previu que uma Rita partiria levando nosso sorriso. É, já faz um ano que você foi passear e para nós sobrou saudade e uma vontade doida de superstar com você.

Às vezes a lua aparece lá no céu e dá aquela sensação de que ninguém sonha mais do que eu. É como se eu enxergasse o seu disco voador lá longe, dando uma espiadinha rápida para ver como as coisas estão.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do SAMPI

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