As mudanças nas formas de trabalho, como trabalho à distância e jornadas híbridas foram aceleradas pela pandemia de covid-19. Porém, mesmo com o fim do estado de emergência, tanto empresas como funcionários se adaptaram às novas formas de trabalho, o que fez com que o mercado de trabalho passasse por mais uma adaptação. Os formatos tradicionais de trabalho, como o foco em jornadas pré-determinadas, vão passar a dar mais espaço para novos meios de realizar as atividades e, também, de remunerar. Tais mudanças são fruto de um mercado cada vez mais tecnológico e que exige do funcionário um grau ainda mais elevado de conhecimento.
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“Vamos viver uma nova mudança na forma de trabalhar e remunerar. As mudanças serão gradativas, mas cadenciadas”, afirmou o consultor empresarial Marcelo Bianchi. “A remuneração será mais focada em resultado do que no esforço e na quantidade de horas. Trabalhos repetitivos devem, cada vez mais, serem substituídos por robôs. Por isso as iniciativas para flexibilizar o trabalho estão ganhando força”, completou.
Essas mudanças nas relações de trabalho causadas pelo avanço da tecnologia, porém, são acompanhadas por um fator preocupante. Segundo o especialista, as empresas têm cedido a benefícios nada tradicionais, como folga menstrual, plano de saúde para pets e até ajuda de custo para pagar por congelamento de óvulos, para atrair funcionários capacitados para os postos porque “o Brasil já há algum tempo vive o apagão de mão de obra qualificada”, diz. “Quanto mais a tecnologia evolui, mais qualificada é a mão de obra. Todos os setores que realizam atividades complexas estão em dificuldades para contratar trabalhadores qualificados. Por isso, além do salário competitivo, as empresas estão aumentando o leque de benefícios e flexibilidade no trabalho. O trabalhador qualificado é quem escolhe onde trabalhar, não mais a empresa quem contratar”, explicou.
TESTES
Além dos benefícios diferenciados, a flexibilização do trabalho já vem sendo aplicada como testes em empresas brasileiras. Um dos formatos mais conhecidos é o da jornada de trabalho de quatro dias. Ainda em testes por algumas empresas, Bianchi afirma que há potencial para que o Brasil tenha sucesso com o novo formato. “No entanto, não há milagre. Nenhuma empresa irá proporcionar esse benefício sem reduzir custos na mesma proporção. Não há espaço para aumento de custos e repasse nos preços. O mercado é muito competitivo e o cliente não pagará esta conta”, disse Bianchi.
“É necessário que o trabalhador aprenda novos métodos de trabalho e emprego de tecnologia para contribuir com o ganho de produtividade. Para ter esse benefício, a empresa e o trabalhador deverão achar a solução juntos”, completou.
“O trabalhador que está nesta condição goza desse benefício, no entanto, aquele que está fora desta condição, fica cada vez mais à margem de ganhar um bom salário. O trabalhador que quer uma remuneração melhor e ter melhores benefícios precisa investir em sua carreira”, finalizou o especialista.