Cada vez mais mulheres estão tomando a decisão de não ter filhos e focar em suas carreiras, desafiando as expectativas tradicionais da maternidade. A ginecologista e obstetra, Anna Claudia Gilbertoni, conta essa escolha tem se tornado cada vez mais comum em seu consultório. Ela observa que, ao longo dos anos, mais mulheres têm optado por não ter filhos, seja por aspirações profissionais ou preferências pessoais. “Eu observo que há uns anos atrás já tinha essa tendência, mas elas vinham com muita culpa, com medo de arrependimento, se incomodando muito com opinião alheia, hoje não. Hoje está cada vez mais comum e elas não se preocupam com a opinião alheia ou com o julgamento das outras pessoas”, diz.
“Como tudo na vida, todas as decisões precisam ser bem pensadas e analisadas de acordo com o desejo da mulher. Se você opta pela maternidade, você tem que abrir mão de um monte de coisa, tem que estar disposta a isso. E quando você não opta pela maternidade também, você vai ter outras escolhas e outras renúncias”, completa.
Quanto aos contraceptivos mais utilizados por mulheres que fazem essa escolha, a ginecologista destaca a importância da consulta médica para uma decisão informada. “A escolha do método contraceptivo deve ser uma escola feita em conjunto com o casal e do profissional de saúde. É super necessário uma consulta médica para dialogar com a paciente, ver o que ela deseja, o que espera de um anticoncepcional e quando tempo ela quer de anticoncepção”, explica.
Em relação aos desafios enfrentados pelas mulheres que decidem não ter filhos e focar na carreira em relação ao acesso aos contraceptivos, a médica enfatiza que os métodos contraceptivos disponíveis atualmente são seguros, eficazes e reversíveis. “A anticoncepção que a gente tem hoje, ela é 100% eficaz, ou seja, você não vai engravidar usando o anticoncepcional, 100% inócuo, não faz mal para a saúde da pessoa, desde que seja bem indicado por um médico ginecologista”, orienta.
Quando a mulher já estiver decidida, a indicação dos LARCs é uma opção. Segundo a Anna Claudia, são contraceptivos de ação estendida, como os DIOs e o implanon. Estes métodos também são indicados para mulheres que querem ter filhos com previsão.
Ela enfatiza a importância da conscientização sobre métodos contraceptivos, principalmente do preservativo. “Nunca devemos do preservativo, embora os métodos anticoncepcionais sejam 100% eficazes para evitar a gravidez. “É importante o uso do preservativo para evitar as DSTs, o que tem aumentado muitos os casos. No consultório, a paciente fica muito chateada quando isso acontece, então é importante pensar na saúde como um todo e o preservativo faz parte desse cuidado com a saúde da mulher”, reforça.