Em meio ao aumento dos casos de dengue, técnicas para evitar o mosquito transmissor passaram a ser difundidas pelas redes sociais. Muitas dessas técnicas, sem comprovação científica. Entre os muitos mitos que circulam, ressurgiu a sugestão de utilizar borra de café como arma contra o mosquito Aedes aegypti. Essa ideia, embora baseada em estudos reais, carece de respaldo científico atual.
Há cerca de vinte anos, pesquisadores da Unesp exploraram a possibilidade de usar a borra de café para interromper a reprodução do Aedes aegypti. Entretanto, estudos subsequentes não confirmaram de forma conclusiva a eficácia dessa prática. Mesmo na época, a cautela era adotada quanto aos resultados, que sugeriam apenas uma possível alternativa aos métodos convencionais.
Atualmente, órgãos de saúde não endossam o uso da borra de café no combate à dengue. Em alguns estados, como Espírito Santo e Paraná, seu uso é desencorajado pelas autoridades. O risco é que a população deixe de adotar medidas comprovadamente eficazes contra o mosquito, aumentando assim o perigo de disseminação da doença.
A melhor forma de prevenir a proliferação do Aedes aegypti continua sendo a eliminação de focos de água parada, onde o mosquito se reproduz. Recomenda-se a limpeza frequente de recipientes, evitando o acúmulo de água. Medidas simples, como virar garrafas para baixo e preencher pratos de plantas com areia, são mais eficazes do que soluções duvidosas.
É importante ressaltar que mesmo que a reprodução do mosquito seja interrompida, os insetos já presentes no ambiente representam uma ameaça. Portanto, a proteção pessoal, por meio de repelentes e mosquiteiros, é essencial para evitar picadas e a transmissão da dengue.
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