ARTIGO

Compartilhamento de informações

Por André Salum | 06/02/2024 | Tempo de leitura: 3 min

O aumento vertiginoso de informações disponíveis na atualidade e a possibilidade de compartilhá-las através dos dispositivos que a maioria tem em mãos não foram precedidos nem têm sido acompanhados de um processo educativo e conscientizador, a fim de aprendermos a filtrar os conteúdos e selecioná-los segundo critérios éticos e morais bem compreendidos e assimilados. Salvo exceções, que ocorrem graças a pais e educadores conscientes, não se recebe nenhuma orientação a esse respeito, o que afeta especialmente as crianças, as quais têm acesso cada vez mais precoce e indiscriminado aos dispositivos de comunicação virtual.

As informações que nos chegam de forma avassaladora e a pressão para que sejam vistas, apreciadas e compartilhadas de modo apressado, fazem com que frequentemente nos vejamos imersos naquilo que não nos deveria merecer atenção e menos ainda ser repassado àqueles com quem nos correspondemos. Muitas vezes dedicamos tempo e energia ao que não deveria ocupar tal espaço em nosso universo interior.

Cabe considerar que aquilo a que damos atenção e que divulgamos revela seu valor para nós, tanto quanto expressa nossas tendências e valores. O predomínio de notícias sensacionalistas, trágicas, fúteis e degradantes veiculadas em todo o mundo é espelho do nosso nível de consciência como humanidade, o que nos faz refletirmos acerca de nossa responsabilidade quanto àquilo que escolhemos ver, ouvir, comentar e divulgar. Essa conscientização nos parece fundamental, especialmente com relação às crianças, a fim de que sejamos consumidores e difusores de informações de caráter educativo, construtivo e evolutivo, e não apenas reprodutores inconsequentes ou instrumentos dos interesses escusos que têm predominado na mídia.

Existe uma frase do instrutor André Luiz que diz: “o mal não merece comentário em tempo algum”. Poderíamos acrescer: muito menos ser compartilhado e divulgado, a não ser em contextos educativos ou terapêuticos, dentro de processos de tomada de decisões para evitar que se repitam, ou ainda como parte de reflexões com finalidade construtiva.

No processo de adoecimento coletivo, que envolve a disseminação indiscriminada de notícias degradantes, tornamo-nos, sem nos apercebermos disso, responsáveis por oferecer lixo mental a quem conosco se comunica, intoxicando as nossas e as mentes alheias, contribuindo negativamente com a pandemia de distúrbios psíquicos que assola o planeta. Por isso, nossa responsabilidade social vai muito além das necessárias medidas conhecidas e divulgadas, pois abrange também, e principalmente, aquilo que influencia psiquicamente os demais.

A vigilância, enfatizada nos textos evangélicos, precisa alcançar todos os aspectos e setores de nossa vida, inclusive as informações com as quais lidamos diariamente, a fim de que nossa conduta seja compatível com os valores religiosos nos quais dizemos crer. Se seguíssemos, ainda que parcialmente, os padrões éticos em que as religiões se baseiam, parte significativa das notícias que veiculamos não existiriam.

Diante da assombrosa quantidade de informações disponíveis atualmente, uma comunicação positiva torna-se imperativa, impondo-se uma rigorosa seleção qualitativa do que se passa adiante pelos veículos de comunicação. Destacado nesse processo é o papel dos pais e educadores no convívio com seus educandos, pois seu exemplo é o mais eloquente discurso e o mais convincente argumento, semeando os padrões de conduta para as futuras gerações.

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