Nos últimos anos, Piracicaba, assim como vários outros municípios, tem enfrentado desafios no que diz respeito à gravidez na adolescência. De acordo com os dados fornecidos pela Secretaria Municipal de Saúde, os registros de gravidez nesse grupo etário têm oscilado, mas permanecem uma preocupação constante para as autoridades de saúde.
Em 2021, foram registrados 396 casos de gravidez entre adolescentes (de 10 a 19 anos), representando 8,4% do total de nascidos vivos na cidade, que foi de 4.728. No ano seguinte, esse número diminuiu para 362, o equivalente a 6,7% dos 5.364 nascidos vivos. Os dados referentes a 2023 ainda não estão disponíveis junto ao Ministério da Saúde, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde.
Além das preocupações com a incidência de gravidez na adolescência, é preciso considerar também as consequências para a saúde materna e infantil. Em 2021, foram registrados 11 óbitos infantis e, em 2022, dois entre adolescentes de 10 a 19 anos. Esses números destacam a importância de medidas preventivas e de apoio adequado para as gestantes adolescentes e seus bebês.
Nesse contexto, a Santa Casa de Piracicaba desempenha um papel importante como hospital credenciado pelo Ministério da Saúde para o serviço de Maternidade pelo SUS. De acordo com o ginecologista obstetra e coordenador da Maternidade da Santa Casa, Renato Ferracciu, a instituição integra o pacto de Mortalidade e oferece acompanhamento pré-natal para gestantes de alto risco, contribuindo para a redução dos índices de mortalidade e garantindo cuidados adequados durante a gravidez e o parto.
Quanto ao serviço de orientação oferecido pelo SUS, o município conta com o Pacto pela Redução da Mortalidade Infantil, que realiza levantamentos das gestantes adolescentes e atua em parceria com o Conselho Tutelar em casos de suspeita de abuso ou violência. Além disso, o Pacto promove visitas domiciliares para garantir um pré-natal adequado e trabalha em conjunto com as equipes da Atenção Básica para proteger o recém-nascido de mães adolescentes no pós-parto.
“A gravidez na adolescência é um tema de grande relevância e preocupação, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Existem diversos riscos, tanto para a mãe quanto para o bebê. Entre os principais para a mãe, podemos citar a pré-eclâmpsia, parto prematuro, anemia, além de complicações durante o parto, como a necessidade de cesariana. Para o bebê, os riscos incluem baixo peso ao nascer, problemas de desenvolvimento e até mesmo maior taxa de mortalidade neonatal”, alerta o especialista.
De acordo com Ferracciu, a falta de informação pode levar as adolescentes a não buscarem cuidados pré-natais adequados, o que aumenta os riscos de complicações durante a gestação. Além disso, o estigma social pode gerar medo e vergonha, impedindo que essas jovens busquem apoio e assistência médica quando necessário. ”É fundamental combater esse estigma e garantir que todas as adolescentes tenham acesso a informações e cuidados de saúde de qualidade”, reforça o médico.
Ferracciu destaca ainda que a prevenção da gravidez na adolescência envolve uma abordagem multifacetada. “Educação sexual adequada nas escolas, acesso gratuito a métodos contraceptivos eficazes, apoio psicológico e emocional para os jovens são medidas essenciais. Além disso, é importante promover a igualdade de gênero e empoderar as adolescentes para que possam tomar decisões informadas sobre sua saúde sexual e reprodutiva”, salienta.
A gravidez na adolescência, segundo ele, não deve ser encarada como algo inevitável ou aceitável. “É importante que os jovens compreendam os riscos e as responsabilidades envolvidas na maternidade precoce e tenham acesso a informações e recursos para evitar gestações não planejadas. Além disso, é fundamental que a sociedade ofereça apoio e acolhimento às adolescentes grávidas, garantindo que elas recebam o cuidado e o suporte necessários para uma gestação saudável e segura”, finaliza.