O Brasil é o país do mundo que mais consome música, segundo relatório da Federação Internacional da Indústria Fonográfica. Os brasileiros escutam, em média, 24,9 horas semanais de música, acima da média mundial, que é de 20,7. Em tempos atuais, não é de se surpreender que a principal fonte de música dos brasileiros seja o streaming. De acordo com a Pró-Música, entidade que representa as gravadoras nacionais, em 2023, a receita da indústria fonográfica veio 99,2% das plataformas digitais, número que rendeu R$ 1,181 bilhões ao mercado fonográfico. Mesmo com a tecnologia dominando, a mídia física ainda tem seus entusiastas e viu um crescimento nas vendas no ano passado.
Segundo a BPI, associação britânica que representa gravadoras mundiais, como Warner Music, Sony BMG e Universal, a venda de discos de vinil cresceu 15% em todo o mundo em 2023 alavancada por lançamentos de artistas como Taylor Swift e Lana Del Rey. Em todo o mundo, foram vendidos mais de 3 milhões de LPs. No Brasil, mesmo que de uma maneira tímida, os “bolachões” também aparecem. A venda de discos de vinil totalizou R$ 5 milhões em 2023. Já os CDs foram responsáveis por garantir R$ 3 milhões para as gravadoras.
Apesar de ser um costume que está voltando a ser moda, colecionar a mídia física não deixou de ser uma tendência para quem sente o prazer no passo a passo que envolve a atividade. Dono de uma coleção que varia entre CDs, fitas cassete e DVDs, o jornalista José Ricardo Ferreira, o Baby, nunca deixou a coleção, que começou em 1998, de lado. “Eu morava em Jundiaí, perto da capital, e duas vezes por mês ia curtir a cultura paulistana. Na avenida Paulista havia muitas lojas, e também na Rua Augusta, havia uma loja de CDs com tudo de bom”, disse o colecionador, que possui uma coleção de 250 CDS, 100 fitas cassete, 200 DVDs e mais 40 VHFs em casa. “Os primeiros CDs foram um da Legião Urbana e uma coletânea de heavy metal. Como toco rock autoral na minha banda, a Invasores, curto mesmo rock nacional, Legião, Paralamas, Titãs, Barão, Capital Inicial e outros”, contou. “Mas tenho de tudo: MPB, internacional, música clássica”, comentou.
O produtor musical Mário Brito também é fã da mídia física. Na coleção, possui mais de 200 LPs e outros 200 CDs. “Acho que colecionar este material está muito ligado ao fato da minha profissão como produtor musical. Tenho 40 anos, vivenciei toda a euforia que foi o momento do CD e como ele era consumido em meu círculo de amigos e familiares”, disse. “Meu acervo tem bastante coisas de jazz, rock, blues e folk. Mas os que mais me encantam são os artistas de MPB”, disse. Entre as obras, Mário conta que tem um carinho especial por um clássico, tido como responsável pela popularização da Bossa Nova ao redor do mundo. “Acredito que do meu acervo, o que mais tenho um cuidado especial seja o Gilberto/Getz, obra maravilhosa da Bossa Nova com João Gilberto, o saxofonista Stan Getz, Tom Jobim e Astrud Gilberto. E alguns outros nomes da música nordestina”, revelou.
MAGIA
As coleções de Baby e Mário ainda ecoam por aí. Mesmo com o streaming, eles ainda fazem questão de ouvir a mídia física. O que atrai os olhos e os ouvidos dos colecionadores para esse tipo de mídia é o processo. “A gente em casa ouve. Minha esposa, Nádia, também tem muita coisa. O prazer da obra física é a capa, o movimento de botar no aparelho para tocar”, disse Baby.
“Escuto principalmente os LPs. A experiência de abrir um vinil, ler a ficha técnica, encartes, fotografias. São coisas que o formato digital ainda não atentou”, disse Mário. “A percepção é bem mais gostosa, principalmente se comparado ao que escutado hoje com o streaming”, completou o produtor.
“Mas a tecnologia está aí e é excelente. Não precisamos mais ficar caçando obras. Basta acessar e curtir apresentações ou apenas músicas, filmes, documentários. Ao contrário dos livros, acho que a música física não vai resistir. Minha banda está pra gravar o terceiro EP, e vamos ter uns 50 CDs. A divulgação será pelo Spotify e similares. Não dá para ficar no passado”, finalizou Baby.
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