A vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan (chamada de Butantan-DV ) mostrou uma eficácia de 79,6% para evitar a doença, de acordo com o estudo clínico de fase 3. Os dados são de um acompanhamento de dois anos com mais de 16 mil indivíduos de todo o Brasil. Durante esse período, não foi reportado nenhum caso grave de dengue nos participantes.
Em andamento desde 2016, a fase 3 envolve 16.235 voluntários de 2 a 59 anos, avaliados por 16 centros de pesquisa de diferentes regiões do País.O imunizante foi administrado em 10.259 pessoas, em dose única, eorestante recebeu placebo. A incidência de casos de dengue sintomáticos confirmados por laboratório foi analisada depois de 28 dias da vacinação até dois anos de seguimento de cada participante.O estudo seguirá até todos os indivíduos completarem cinco anos de acompanhamento, em 2024.
“Atualmente, a dengue soma 400 milhões de casos no mundo por ano e, só nas Américas, 500 milhões de indivíduos vivem sob o risco de contrair a arbovirose diariamente, segundo a Organização Mundial da Saúde. De acordo com o Ministério da Saúde, só no Brasil, em 2022, houve um aumento de quase 200% nos casos. Estes dados refletem a urgência global de se ter uma vacina capaz de controlar a doença, e assim, a Butantan- -DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan, tornando-se um grande marco para a saúde pública brasileira”, diz José Moreira, diretor Médico de Desenvolvimento Clínico do Butantan, em entrevista ao JP.
A eficácia da vacina também foi avaliada, separadamente, de acordo com a exposição prévia ao vírus da dengue. Em pessoas que contraíram a doença antes do estudo, a proteção foi de 89,2%. Já naqueles que nunca tiveram contato com o vírus, a eficácia foi de 73,5%.
A vacina do Butantan é tetravalente, feita para proteger contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. “O estudo da vacina tetravalente contra Dengue, Butantan-DV, está na fase 3 dos ensaios clínicos, então o estudo tem previsão de ser finalizado no próximo ano. Em relação a aprovação, a vacina depende da validação do comitê técnico da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)”, pontua o médico.
A dengue é uma doença grave que pode levar à morte. Seus sintomas mais recorrentes são fortes dores pelo corpo, febre e diarreia. A preocupação maior da Saúde é com os idosos e crianças. Manter a casa limpa previne a dengue.
Imunização pública deve representar marco na saúde
O estudo realizado pelo Butantan para a produção de uma vacina contra adengue pode ter grande impacto na saúde pública brasileira. Após marca em 2022, o Brasil ultrapassou novamente 1.000 mortos pela dengue neste ano, de acordo com atualização do painel de arboviroses do Ministério da Saúde, divulgado no em 23 de novembro. Até esta data, foram 1.037 mortes - com casos ainda em investigação. Já o número de casos de dengue em 2023 no Brasil chega a 1,8 milhão.
Em Piracicaba, de acordo com o banco de dados da Vigilância Epidemiológica da Prefeitura, de janeiro até 28 de novembro foram registrados 2.941 casos positivos e três óbitos por dengue. No mesmo período de 2022, foram 1.440 casos e um óbito; em 2021, foram 5.349 casos e um óbito.
A vacina do Butantan tem perfil de segurança semelhante tanto para quem teve a doença como para aqueles que nunca tiveram contato com o vírus. Hoje, no Brasil, há somente uma vacina aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), disponível na rede privada e indicada apenas para quem já teve dengue.
Das mais de 10 mil pessoas que receberam o imunizante, apenas três (menos de 0,1%) apresentaram eventos adversos graves, e todos se recuperaram totalmente.
A fase 1 do ensaio clínico, desenvolvida nos Estados Unidos (2010-2012), e a fase 2, conduzida no Brasil (2013- 2015), mostraram que a vacina induz produção de anticorpos contra os quatro sorotipos do vírus. Esse é o maior desafio na produção de uma vacina contra a dengue, já que é possível ser infectado mais de uma vez por diferentes vírus – e no caso de uma reinfecção, a chance de desenvolver uma doença grave e com risco de morte é maior.
Caso o imunizante seja aprovado futuramente pela Anvisa, ele poderá ser incorporado ao PNI (Programa Nacional de Imunizações) e disponibilizado gratuitamente para a população brasileira. No mundo, 400 milhões de pessoas são acometidas pela dengue anualmente. A dengue é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que também pode causar outras doenças, como chikungunya, zika, febre amarela e febre de mayaro.