HIV

Novos casos de Aids em Piracicaba diminuem após 3 anos de aumento

Por Roberto Gardinalli | roberto.gardinalli@jpjornal.com.br
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Divulgação

Os novos casos de HIV/Aids em tratamento em Piracicaba diminuíram em 2023 após três anos de aumento nos diagnósticos, de acordo com dados da Vigilândia Epidemiológica Municipal. Segundo os números, em 2023, 79 pessoas foram diagnosticadas com o vírus até o dia 30 de novembro, contra 111 em 2022 - a redução é de 28,8%. Já em 2021, o número de diagnósticos foi de 71, enquanto que em 2020, o total do ano todo foi de 70 novos casos. Ainda segundo a Vigilância Epidemiológica, atualmente em Piracicaba, são 2.243 pacientes em tratamento.

Segundo o Ministério da Saúde, de 1980 até junho de 2022, foram identificados 1.088.536 casos de Aids no Brasil. Além disso, estima-se que cerca de 108 mil pessoas ainda não têm o diagnóstico, sendo a maioria jovens com idade entre 15 e 24 anos, que vivem com o vírus HIV em seu corpo e não sabem. Em 2022, ao menos 13 mil pessoas morreram no Brasil em decorrência da Aids, de acordo com relatório da Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids). No mundo, 39 milhões de pessoas estão vivendo com o HIV. Em 2022, outras 1,3 milhão foram infectadas com o HIV e 630 mil pessoas morreram de doenças relacionadas à Aids.

De acordo com relatório do Unaids divulgado em julho deste ano, 88% das pessoas que têm o vírus HIV já foram diagnosticadas, enquanto que 83% estão em tratamento retroviral e 95% das pessoas estão com a carga viral suprimida. A situação ainda é considerada epidêmica, e o objetivo mundial é que a incidência da Aids deixe de ser classificada como risco para a saúde até 2030. Para o fim da epidemia, o Unaids estabeleceu que os índices de diagnóstico, tratamento e supressão da carga viral sejam de, ao menos, 95% em cada país.

De acordo com a enfermeira coordenadora do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar da Santa Casa de Piracicaba, Fernanda Rosa, as dificuldades para que o país atinja a meta são relacionadas às desigualdades que afetam grupos vulneráveis, como a comunidade LGBTQIA+ e a população em situação de vulnerabilidade social e econômica. “As desigualdades socioeconômicas e legislações restritivas têm um impacto substancial na disseminação e no controle da Aids. A discriminação e o estigma também são barreiras significativas para alcançar metas mais elevadas de controle da epidemia", disse.

Apesar de o Brasil estar dentro da meta em apenas um dos três quesitos apontados pelo Unaids, o infectologista Tuffi Chalita avalia que o programa de combate à Aids e tratamento no país é diferenciado com relação a outras nações. “O Brasil é um dos países que mais combatem o HIV. Pouquíssimos países fazem o que o Brasil faz, que é dar gratuitamente e universalmente o tratamento para todos os indivíduos quiserem”, disse. Na avaliação do especialista, porém, o que é necessário para que a meta seja atingida é mais informação sobre a prevenção da doença. “O que precisa é mais informação, continuar se divulgando que a doença existe, a existência dos PrEPs, para que o indivíduo fique com muito menos vulnerabilidade quando for ter relações sexuais”, afirmou.

PREVENÇÃO E TRATAMENTO
O consenso entre os especialistas em saúde é o de que a prevenção é a melhor forma de se combater a Aids. De acordo com Fernanda Rosa, é imprescindível o uso de preservativos. “A prevenção é fundamental, a exemplo do uso consistente do preservativo, tanto externa quanto interna, em todas as relações sexuais. É um método seguro e eficaz contra o HIV e outras IST”, disse.

Porém, no caso de exposição ao risco, existem outras formas de se diminuir a possibilidade de contaminação. “A PrEP (prevenção a profilaxia pré-exposição) já é uma realidade, e consiste na tomada de comprimidos antes da relação sexual, que permitem ao organismo estar preparado para enfrentar um contato com o HIV. Em casos de exposição de risco, a PEP (profilaxia pós-exposição) é outra opção, devendo ser iniciada em até 72 horas”, disse.

Apesar dos medicamentos que ajudam o corpo a combater o HIV após a exposição, desde que o uso seja feito no período adequado, ainda não há remédios que eliminem totalmente o vírus. Por isso, o tratamento acontece durante toda a vida do paciente. “A gente usa alguns remédios que nós chamamos de antirretrovirais, que combatem a replicação do vírus. Infelizmente nós não temos ainda hoje remédios que são viricidas, ou seja, que matam o vírus, mas eles têm uma capacidade de atrasar a produção ou impedir que ele se reproduza”, disse Chalita. “Quem toma os antirretrovirais não vai ter a doença desde que eles tomem corretamente, o que já é uma grande coisa. Como não tem cura, por exemplo, para diabetes, pressão alta e o indivíduo deve tomar o remédio para o resto da vida”, completou.

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