SINAIS

Compreender a linguagem corporal canina: a chave para evitar situações perigosas

Por João Paulo Silva Bombo | joao.paulo@jpjornal.com.br
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“Sempre há um gatilho que desencadeia esse tipo de reação”
“Sempre há um gatilho que desencadeia esse tipo de reação”

Cães são seres leais e companheiros, mas, como qualquer outra criatura, podem reagir a diferentes estímulos e situações. É vital que os tutores entendam a linguagem corporal de seus animais de estimação para prevenir situações potencialmente perigosas, tanto para humanos quanto para os próprios animais.

O psicólogo clínico e pesquisador especializado em comportamento e na relação humano-animal, Oliveiros Barone Castro, explica que o comportamento canino é complexo e, muitas vezes, mal compreendido. "Um dos pontos a serem considerados é que os cães não atacam e mordem do nada. Sempre há um gatilho que desencadeia esse tipo de reação, e, se os tutores souberem interpretar os sinais, podem evitar incidentes graves, incluindo ferimentos graves ou até mesmo a morte de um animal".

Inicialmente, é importante distinguir entre diferentes níveis de comportamento canino. Um cão pode apresentar sinais de reatividade, que incluem latir quando algo ativa instintivamente uma série de reações em seu cérebro, como a presença de outro cão, gato, moto ou pessoas na rua. Isso não significa necessariamente que o cão seja agressivo e que pretenda atacar ou morder, está apenas manifestando seu instinto de caça. Essa manifestação geralmente se limita a latir, pois o cão está confinado e incapaz de sair.

Por outro lado, em situações semelhantes, outro cão pode evoluir de reatividade para agressividade e, finalmente, para agressão, que envolve um ataque e mordida reais. No entanto, durante esse processo, o cão exibe várias mudanças na linguagem corporal, incluindo mudanças no olhar, postura corporal, foco no objeto de ataque, levantamento das orelhas e do rabo, eriçamento dos pelos, exibição dos dentes e rosnados. Esses sinais corporais podem progredir rapidamente até que o cão ataque e morda seu alvo. Vale ressaltar que essa descrição não é uma regra absoluta, uma vez que o comportamento canino varia de um indivíduo para outro.

É importante notar que essa sequência de comportamento pode ocorrer em uma fração de segundos, tornando difícil para uma pessoa não treinada na área de comportamento canino identificar os sinais. Além disso, em alguns casos, a agressão pode ocorrer sem qualquer aviso, especialmente em cães medrosos e inseguros, que atacam por medo, sem demonstrar sinais claros.

"Portanto, é fundamental que os tutores estejam cientes de que seu próprio comportamento influencia diretamente o comportamento de seus cães. Eles devem aprender a ler a linguagem corporal de seus animais, bem como os sinais corporais de outras pessoas e cães, a fim de evitar problemas em qualquer ambiente ou situação", comenta.

A agressividade e a agressão em cães geralmente resultam de vários fatores combinados, incluindo a falta de socialização adequada e a ausência de treinamento para obedecer a comandos básicos de segurança em várias situações. O treinamento adequado pode estabelecer uma relação de parceria entre o tutor e o cão, permitindo que ambos se observem e se respeitem.

"É muito importante que os tutores conheçam profundamente seus cães, mantenham o controle sobre eles, usem guia e coleira em ambientes públicos e permaneçam vigilantes em relação ao que está acontecendo ao seu redor, especialmente em locais onde outros tutores e cães estão presentes" destaca Oliveiros.

Se um tutor notar qualquer sinal de agressividade em seu cão, é essencial buscar imediatamente a orientação de um profissional que compreenda o comportamento canino. Isso pode incluir o início de um programa de treinamento para garantir a segurança de todos os envolvidos. A prevenção e o entendimento da linguagem corporal canina são fundamentais para manter um ambiente seguro e harmonioso para todos.

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