DESIGUALDADE

Salário inicial de mulheres na região é até 13% mais baixo que dos homens, diz pesquisa

Por Roberto Gardinalli | roberto.gardinalli@jpjornal.com.br
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RMP: Salário das mulheres equivale a 88,6% ao dos homens
RMP: Salário das mulheres equivale a 88,6% ao dos homens

Uma pesquisa do Observatório da Região Metropolitana de Piracicaba alertou para a desigualdade de gênero relacionada aos salários recebidos por homens e mulheres na RMP (Região Metropolitana de Piracicaba). De acordo com o estudo, a média salarial de admissão dos homens em 2023 é de R$ 1.783,86, enquanto que uma mulher recebe R$ 1,581,18, 13% a menos, em média. A pesquisa teve como base dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), deflacionado pelo índice IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). O estudo foi conduzido pelos pesquisadores Cristiane Feltre, Eliana Tadeu Terci e Carlos Eduardo Vian.

Segundo os pesquisadores, a diferença salarial por gênero na região é maior do que a média estadual. Em média, na RMP, o salário de contratação das mulheres equivale a 88,6% do salário dos homens, enquanto que, em todo o Estado de São Paulo, o valor é de 92,2%. Ainda de acordo com o estudo, essas desigualdades são ainda mais comuns em setores que têm como característica a contratação de profissionais com, pelo menos, ensino superior completo.

“As desigualdades são maiores em setores que concentram um número maior de profissionais qualificados, como atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados à educação, informação, comunicação, atividades científicas e técnicas, artes, cultura, e atividades imobiliárias”, informou. “Já na administração pública, defesa e seguridade social, apesar de empregarem um contingente considerável de pessoas com níveis de instrução mais elevados, as desigualdades são bastante reduzidas - 7,9% no estado de São Paulo e 6,8% na RMP”, completou. Os pesquisadores atribuíram a diminuição da desigualdade nos setores públicos por conta de regras, como a divulgação das folhas salariais em portais da transparência, por exemplo. “No geral, chama a atenção o fato de que as desigualdades de gênero nos salários de contratação são mais pronunciadas quando o nível de instrução formal é maior. Nesta pesquisa, o nível de instrução é uma característica e não uma exigência para a obtenção da vaga”, explicou o grupo de pesquisadores. “No estado de São Paulo e na RMP, homens com ensino superior completo são contratados por salários médios com diferenças que chegam a 48% em relação ao salário das mulheres”, completou.

MOTIVO
De acordo com o grupo de pesquisadores, especialistas em recursos humanos foram consultados para explicar o motivo das diferenças salariais. As principais hipóteses listadas são as de que os homens demonstram maior disponibilidade para o deslocamento e permanência no trabalho além do horário comercial, além de que as oportunidades para vagas com salários maiores para mulheres são mais escassas. Também foram citados fatores como “barreiras pessoais” relacionadas aos afazeres domésticos e cuidados com crianças e idosos, além da preferência das mulheres pelo trabalho remoto, pois “é possível atender a um maior número de tarefas ao mesmo tempo”, citou.

“Mesmo com indicadores de desempenho melhores que os homens, em alguns casos, as mulheres não são indicadas para eventuais promoções em empresas”, informou. “Todos os fatores listados acabam reduzindo o poder de barganha da mulher na negociação salarial no momento da contratação”, finalizou o estudo.

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