Astrônomos, entusiastas e curiosos vão poder observar amanhã (14) o eclipse solar anular, que acontece no Brasil. O evento poderá ser observado em todo o país, inclusive em Piracicaba, onde o ápice deve acontecer por volta das 16h49. Apesar da beleza, o fenômeno é perigoso para a saúde dos olhos.
Por conta dos raios que são emitidos pelo sol, especialistas recomendam que a observação não deve ser feita a olho nu, e é necessário o uso de equipamentos especiais. “Em hipótese alguma se deve olhar diretamente para o sol, nem mesmo com o uso de películas de raio-X, óculos escuros ou outro material caseiro”, disse Josina Nascimento, astrônoma do Observatório Nacional. “Para olhar diretamente para o Sol, somente com o uso de filtros solares apropriados, telescópios adequados e sob a supervisão de profissionais”, completou.
Mas existem outras formas de projeção ou de observação indireta. Uma das formas é a chamada câmera pinhole. “É bem fácil construir um aparato. Pode-se simplesmente usar um pedaço de papelão, como, por exemplo, uma tampa de caixa de pizza, e fazer um furo no meio. Coloca-se um papel branco no chão e direciona-se o furo para a direção do Sol. O eclipse é visto tranquilamente no papel no chão”, disse. Outra forma, recomendada pelo Observatório Municipal de Americana, é o uso de uma lente de máscara de soldador na tonalidade 14 DIN, que pode ser encontrada facilmente em lojas de ferramentas ou materiais de construção.
RISCOS
De acordo com o oftalmologista Bruno Ribeiro e Silva, o efeito do sol na retina causa uma lesão irreversível, conhecida como mácula. “Olhar diretamente para o sol por um período prolongado pode causar uma lesão irreversível no centro da retina, conhecido como macula. Essa alteração é bem descrita na literatura científica e é conhecida como retinopatia solar”, disse. “Em dias normais, as pessoas não costumam ficar olhando diretamente para o sol , então isso não costuma ser um problema comum. Contudo, durante o eclipse, por ser um fenômeno raro, é comum que as pessoas fiquem olhando para o sol por períodos prolongados, o que pode ser perigoso. A explicação mais aceita para essa alteração é que a luz em grande intensidade estimula a formação de radicais livres na retina, o que gera lesão celular”, completou. “Pessoas em uso de medicamentos fotossensíveis, como o antibiótico tetraciclina ou alguns medicamentos para psoríase, têm risco aumentado”, disse.
Ainda segundo o especialista, os efeitos podem ser percebidos nos primeiros dias após a exposição. “Os sintomas visuais podem melhorar ao longo dos meses mas a presença de uma mancha escura no centro da visão e distorções nas imagens, podem ser permanentes. Infelizmente não há nenhum tratamento e, portanto, a prevenção é essencial”, finalizou.
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