A Prefeitura de Piracicaba interrompeu o programa de distribuição de medicamentos de uso contínuo que era realizado por meio do Serviço Social e deixou, desde janeiro, cerca de 200 pessoas desamparadas.
Os remédios oferecidos pelo programa não fazem parte do rol da farmácia de alto custo e não estão disponíveis nas farmácias das unidades de saúde. Dessa forma, o município fazia a compra dos medicamentos e os distribuía aos usuários do SUS (Sistema Único de Saúde), desde que respeitado uma série de critérios.
“Esse ano eu não peguei nenhuma vez. A Prefeitura não liberou verba para a gente pegar o medicamento. São cerca de 200 pessoas que estão passando a mesma dificuldade que eu”, disse Aparecida dos Reis, que usava o serviço para medicar a filha dela, há cerca de três anos. “A cada dois meses eu gasto quase R$ 800 para comprar os medicamentos. Se eu não der o medicamento para ela, quem vai sofrer as consequências sou eu e meu marido. Quando ela (a filha) tem crise, a gente tem que chamar alguém e a gente chama os outros filhos pra socorrer”, afirmou.
Ela disse que a filha dele tem transtorno bipolar, surtos e problemas de audição.
Devido à despesa com os medicamentos, o orçamento familiar ficou prejudicado. “Eu pago aluguel, fica água, fica luz, ou gasta com remédio pra ela ou com a comida”, afirma. Aparecida conta também que, cada vez que vai ao Serviço Social, que funciona no Centro da Cidade, aumenta a despesa porque, como mora no Jardim Monumento, precisa ir de ônibus.
A Prefeitura de Piracicaba foi questionada sobre o programa e por qual motivo os medicamentos não estão mais sendo fornecidos.
A SMS (Secretaria Municipal de Saúde) enviou nota à redação do Jornal de Piracicaba informando que busca soluções para resolver o problema, ‘dentro da legalidade e não deixar outros usuários sem atendimento’. “Entre as ações que a Secretaria Municipal de Saúde tem realizado é o contato com estes usuários para reavaliação médica na rede e oferta de novo receituário com medicação inclusa na Relação Municipal de Medicamentos Essenciais e, quem não optar por fazer esta mudança deve fazer a solicitação da medicação junto ao DRS-10 (Departamento Regional de Saúde) de Piracicaba, a fim de requerer tal medicação por meio do Estado. Além disso, o DAF (Departamento de Assistência Farmacêutica) já analisa a viabilidade da inclusão de novos medicamentos na Remume (Relação Municipal de Medicamentos Essenciais)”.
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