INCLUSÃO

Pequenos atletas são inspiração em projeto social no Vila Sônia

Por Erivan Monteiro | erivan.monteiro@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 3 min
Claudinho Coradini/JP
O boxe proporciona às crianças uma melhor qualidade de vida, além de disciplina e segurança
O boxe proporciona às crianças uma melhor qualidade de vida, além de disciplina e segurança

O boxe, assim como a maioria dos esportes, traz uma importante ferramenta, que é a inclusão de todos, sem distinção. No projeto da Nobre Arte na Vila Sônia, realizado pelo ex-pugilista e professor Marlon Pedroso, uma criança e dois adolescentes diagnosticados com TEA (Transtorno do Espectro Autista) treinam duas vezes por semana em busca de uma melhor qualidade de vida. Eles, juntamente a outros meninos e meninas, vêm se desenvolvendo não somente no esporte, mas também no convívio social.

Os atletas Lucas André da Silva e Luiz Henrique Costa de Melo, ambos com 15 anos, além de Davi Soares Basso, 8, são uma inspiração aos demais. Eles treinam desde a parte cognitiva e disciplinar, como também as situações específicas do boxe, como reação, gestos motores, coordenação motora e reflexo, entre outros. Os três meninos – assim como os demais garotos - não são treinados para competições, o que se propõe é trabalhar o lado recreativo que o esporte também proporciona.

“É uma experiência ímpar, que eu sinto muito a presença de Deus em minha vida por ter essa oportunidade de atuar com as crianças em geral; e muito mais poder incluir as crianças com TEA e fazer com que eles não se sintam diferentes das outras crianças”, declarou Pedroso. “É muito bom fazer a minha parte e atender a esses pais, que procuram um ambiente agradável e familiar para seus filhos”, emendou.

Atualmente, o projeto tem em torno de 20 crianças, cujas as idades variam entre 6 a 11 anos. Elas ainda não poderão participar de torneios da Federação Paulista de Boxe, por exemplo, por conta da idade e tempo de treino - somente as turmas maiores do projeto, entre 12 e 16 anos, estão aptas para as lutas. “No caso deles (dos mais novos), os pais buscam aqui um ambiente familiar e educativo para suas crianças”, contou o treinador.

Jefferson de Mello, pai do atleta Luiz Henrique, está muito feliz com a evolução de seu filho no esporte.“O Luiz Henrique nasceu de cinco meses com uma pequena microcefalia. Antes do boxe, ele era muito estressado, mas hoje ele tem agilidade, consegue andar melhor, tem um bom desempenho na escola e melhorou psicológico dele”, disse.

Já a dona de casa Michele Camargo Maskalenca, mãe dos atletas Wallace e Nicole Maskalenca Barbosa, também inscreveu seus filhos por questões de saúde. “Eu já havia procurado outros esportes e eles se encontraram no boxe. Meu filho estava com sobrepeso, mas já está melhor”, disse Michele.

O TEA

Segundo a Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), O transtorno do espectro autista (TEA) se refere a uma série de condições caracterizadas por algum grau de comprometimento no comportamento social, na comunicação e na linguagem, e por uma gama estreita de interesses e atividades que são únicas para o indivíduo e realizadas de forma repetitiva.

Ainda de acordo com a Opas, o TEA começa na infância e tende a persistir na adolescência e na idade adulta. Na maioria dos casos, as condições são aparentes durante os primeiros cinco anos de vida. 

Indivíduos com transtorno do espectro autista frequentemente apresentam outras condições concomitantes, incluindo epilepsia, depressão, ansiedade e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

O nível de funcionamento intelectual em indivíduos com TEA é extremamente variável, estendendo-se de comprometimento profundo até níveis superiores.

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