Em menos de 20 dias, três captações de órgãos para doação aconteceram em Piracicaba. As doações foram realizadas nos dias 16 e 25 de agosto e no último dia 2 de setembro. Os doadores podem ter ajudado pelo menos 20 pacientes receptores que estavam na espera. De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, cada doador ajuda, em média, de oito a dez pacientes.
Segundo o registro da Abto (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos), baseado em dados fornecidos por secretarias estaduais, no Estado de São Paulo, no primeiro semestre do ano, os transplantes de rim e fígado foram os mais comuns. No total, foram 926 transplantes de rim e 319 de fígado. No caso dos transplantes de coração, o total foi de 64, enquanto 31 pâncreas foram doados e dez pessoas passaram por uma cirurgia de transplante de pulmão. Ainda segundo os dados da associação, 2.979 córneas foram doadas e 958 pacientes receberam medula óssea. No total, considerando o número de transplantes de órgãos e tecidos, o Estado de São Paulo registrou, em seis meses, 5.287 transplantes.
No Brasil, o rim também foi o órgão mais transplantado: entre janeiro e junho de 2023, foram 2.847 operações. Em seguida, o fígado é o órgão com a maior procura: foram 1.103 em todo o País. O coração vem em terceiro lugar, com 208 cirurgias.
Ainda assim, de acordo com a médica Simone Perales, especialista em transplante de fígado da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), o volume de transplantes ainda é baixo. “O Brasil é o segundo país do mundo a fazer transplante de fígado de doador falecido e o trigésimo no número de doadores disponíveis. Menos da metade da demanda de receptores que temos é atendida a cada ano”, explicou. Segundo a Abto, em seis meses 1.761 notificações de potenciais doadores foram registradas no Estado de São Paulo no primeiro semestre, mas só 529 pessoas doaram. As recusas na doação podem acontecer por diversos fatores. No momento do diagnóstico da morte encefálica, que é a completa e irreversível parada de todas as funções do cérebro, a família do paciente é consultada para a doação. As recusas podem acontecer, também, caso o paciente tenha sofrido parada cardíaca, por contra indicação médica e não confirmação da morte encefálica, por exemplo.
Em todo o Estado de São Paulo, 38% das doações não acontecem porque as famílias não autorizam o procedimento. No Brasil, o número corresponde a metade dos casos. Para Simone, isso pode mudar com a conscientização. “Cerca de 50% das perdas de potenciais doadores ocorre justamente no momento da entrevista com a família. Quanto mais conversamos e divulgarmos que um doador ajuda em média oito receptores, que há meses aguardam um transplante, mais chance teremos de ajudar”, disse.
ISQUEMIA
De acordo com Ministério da Saúde, cada órgão tem um prazo para ser transplantado. É a chamada isquemia. A principal urgência é do coração e pulmões, que duram de quatro a seis horas. Para órgãos como fígado, pâncreas e rins o ideal é, no máximo, até 12 horas. “Por exemplo o fígado, entre a retirada e o implante, o ideal é que não passe de 12 horas. Quanto menor o tempo, melhor para o funcionam.