O Cemitério da Saudade voltou a receber, na noite desta sexta-feira (1), o roteiro noturno gratuito de contação de história e lendas. Denominado “Saudade e Suas Vozes”, o evento teve dois momentos, com turmas de até 80 visitantes. Durante o passeio, as pessoas tiveram a oportunidade de observar com mais detalhes a arte, a história e as curiosidades que envolvem esse importante patrimônio de Piracicaba.
“É um passeio histórico. É claro, tem uma coisa lúdica, por que essas histórias têm um magnetismo muito grande, principalmente essas dimensões sobrenaturais. Mas é um passeio que abrange todos os interesses que a gente pode ter no nosso dia a dia”, teorizou o compositor e contador de histórias Thiago Souza, um dos que estavam à frente dos trabalhos.
Segundo Souza, esse roteiro abrange vários aspectos: “Então, para quem gosta de arte, a gente vai ter arte; para quem gosta de história, a gente vai contar história de Piracicaba e do país – com Prudente de Moraes e outros políticos importantes, entre outros. Além da história do Almeida Júnior, por exemplo, que foi assassinado”, enumerou Souza.
O contador de histórias disse ainda que o evento mostra a riqueza do lugar, que muitas vezes fica “escondida” em meio ao dia a dia corrido dos piracicabanos. “Nesse passeio, a gente vai reunindo vários interesses que não são óbvios quando a gente imagina um cemitério. Essa é a ideia do passeio, para mostrar todo o potencial desse lugar”, explicou.
Durante a caminhada pelo cemitério, as lendas que são contadas constroem o imaginário popular. Como a da Noiva da Colina, que perdeu seu noivo no Rio Piracicaba e, conforme a história, ela até hoje ela volta ao mesmo lugar, no exato trecho do rio onde ele se foi. E, em dias mais tranquilos, segundo a lenda, os pescadores ainda escutam seu choro e lamento pela perda do amado.
Entre as histórias explanadas estão as dos túmulos de Prudente de Moraes, que foi o primeiro civil a assumir o cargo de presidente do Brasil, e do padre Galvão Paes de Barros, cujo túmulo está inserido na lenda de que, ao ser conduzido para o enterro no cemitério, teria caído no lugar onde está até hoje, porque quando o caixão caiu não houve força humana capaz de erguê-lo para deslocar a outro local.
‘ENTERRADO AQUI’
Os irmãos João Batista Siqueira e José Carlos Siqueira curtiram muito o passeio noturno no Cemitério da Saudade. “Eu particularmente gosto muito. Eu conheço cemitério. Sou nascido em Piracicaba e conheço muito bem, lembrou João Batista. “61 anos atrás, o meu irmãozinho pequeno morreu (e foi enterrado aqui)...”, lembrou José Carlos. “Eu quero ser enterrado aqui", completou.
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