COMBATE AO FUMO

Cigarro eletrônico tem efeitos tão nocivos quanto tradicional, alerta cardiologista

Por Da Redação | Jornal de Piracicaba
| Tempo de leitura: 3 min
Claudinho Coradini/JP

Criado para conscientizar a população sobre os riscos do tabagismo, o Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado hoje (29), tem como objetivo promover um estilo de vida mais saudável, sem o uso do cigarro, que está associado a uma série de doenças graves e mortes prematuras.

O cigarro é uma fonte concentrada de nicotina, altamente viciante e que pode causar dependência física e psicológica. De acordo com a cardiologista da Santa Casa, Juliana Previtalli, além disso, o tabaco possui substâncias tóxicas que são transportadas para o corpo quando a pessoa fuma. “Além da nicotina, o tabaco contém uma vasta gama de produtos químicos tóxicos e cancerígenos, incluindo alcatrão, monóxido de carbono, formaldeído, chumbo e muitos outros. Essas substâncias são inaladas profundamente nos pulmões de cada fumante e são transportadas para todo o corpo através da corrente sanguínea”, explica a médica, que também atua no combate ao tabagismo no programa Paradas Pro Sucesso.

Segundo a médica, são vários os danos à saúde dos fumantes. “O tabagismo é uma das principais causas evitáveis de câncer. O alcatrão presente no cigarro contém várias substâncias cancerígenas que podem afetar não apenas os pulmões, mas também a boca, garganta, esôfago, pâncreas, fígado, rins, bexiga e colo do útero”, ressalta.

Além disso, segundo Juliana, fumar está diretamente ligado a doenças respiratórias, como bronquite crônica e enfisema pulmonar. “Essas doenças reduzem a capacidade pulmonar, levando a dificuldades respiratórias e uma qualidade de vida comprometida”, alerta ao enfatizar ainda que o monóxido de carbono presente na fumaça do cigarro interfere no transporte de oxigênio pelo sangue, aumentando o risco de doenças cardíacas, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral.

Para as gestantes, outro alerta: “mulheres grávidas que fumam têm maior probabilidade de complicações, como parto prematuro, baixo peso ao nascer e problemas de saúde a longo prazo para seus bebês”, enfatiza Juliana.

CIGARROS ELETRÔNICOS
Outra preocupação crescente, segundo Juliana, é quanto aos cigarros eletrônicos. Nos últimos anos, esse modelo tem ganhado adeptos em todo o mundo, sendo promovido como uma alternativa "mais segura" ao cigarro tradicional. No entanto, essa percepção está longe da realidade. “Os dispositivos mais comercializados atualmente contêm líquidos que, quando vaporizados, contêm, além da nicotina, substâncias químicas tóxicas como o formaldeído e metais pesados como o chumbo, o cádmio e o lítio (componentes das baterias)”, explicou a cardiologista. “Como são proibidos, não há regulamentação. Os cigarros eletrônicos chegam a possuir quase 60 mg de nicotina por ml do líquido (o equivalente a 3 maços), enquanto os tradicionais se limitam a 1 mg da substância por cigarro e isso explica o alto grau de dependência que provoca em quem os experimenta”, completou.

Além disso, a ascensão do uso de cigarros eletrônicos entre os jovens é alarmante. “As campanhas publicitárias que promovem sabores atraentes, embalagens elegantes e a ideia de serem mais ‘inofensivos’ têm contribuído para a normalização desse hábito entre os adolescentes. Isso é preocupante, uma vez que o cérebro dos jovens ainda está em desenvolvimento e é mais suscetível aos efeitos negativos da nicotina, podendo levar a dependência e afetar negativamente o seu desempenho acadêmico e habilidades cognitivas”, alerta a cardiologista.

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