RESPOSTAS

Câmara rejeita audiência pública sobre morte de menina picada por escorpião

Por Roberto Gardinalli | roberto.gardinalli@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 3 min
Rubens Cardia Neto/Câmara de Piracicaba

O requerimento de audiência pública para esclarecer o atendimento à menina Jamilly Vitória Duarte, de cinco anos, morta após ser picada por um escorpião, foi rejeitado pelos vereadores da Câmara de Piracicaba. O requerimento foi votado na sessão de ontem (21). Foram 13 votos contrários e sete favoráveis à audiência. Jamilly foi atendida na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Vila Cristina no dia 11 de agosto. Apesar da unidade ser referência no tratamento desse tipo de caso, ela não recebeu o soro antiescorpiônico na UPA, e só foi transferida para a Santa Casa duas horas depois de dar entrada no atendimento.

A audiência foi solicitada pelo vereador Pedro Kawai (PSDB), e convocava o secretário municipal de Saúde, Douglas Yugi Koga, a coordenadora do Centro de Controle de Zoonoses de Piracicaba, Eliane Carvalho, o representante legal do Hospital Mahatma Gandhi, Luciano Lopes Pastor, a coordenadora de contrato do Hospital Mahatma Gandhi, Rafaella Giraldi e o responsável pelo plantão da UPA da Vila Cristina no último dia 11, data em que Jamilly foi atendida. O texto do requerimento destaca “que foi noticiado, uma possível causa da morte da criança se deu por conta da demora no atendimento e na aplicação de soro antiescorpiônico na jovem que, certamente, neutralizaria o veneno do animal peçonhento na circulação sanguínea".

Votaram a favor do requerimento os vereadores Rai de Almeida (PT), André Bandeira (PSDB), Laércio Trevisan Jr (PL), Gilmar Rotta (PP), Pedro Kawai (PSDB), Cássio Luiz (PL), o Cássio Fala Pira, e Sílvia Morales (PV), do mandato coletivo “A Cidade é Sua”. Foram contrários os vereadores Ary Pedroso Jr (Solidariedade), Zezinho Pereira (União Brasil), Paulo Henrique (Republicanos), Paulo Camolesi (PDT), Valdir Marques (Cidadania), o Paraná, Rerlison Rezende (PSDB), o Relinho, Acácio Godoy (PP), Alessandra Bellucci (Republicanos), Anilton Rissato (Patriota), Fabrício Polezi (Patriota), Gustavo Pompeo (Avante), Josef Borges (Solidariedade) e Sérgio da Van (PL). Os vereadores Paulo Campos (Podemos) e Thiago Ribeiro (Podemos) estavam ausentes no momento da votação.

O vereador Cássio Luiz disse que é “muito triste” um simples requerimento “para trazer o secretário de saúde” ser rejeitado. “O que vão falar para a família dessa criança? O nosso papel é esse, trazer as pessoas nessa Casa para dar esclarecimentos”, questionou o vereador. O vereador Josef Borges, líder do governo na Câmara, afirmou que “uma audiência pública não é para fiscalizar”. Ele justificou que o Ministério Público abriu inquérito e que a UPA da Vila Cristina e a prefeitura abriram sindicâncias. Ele ainda declarou que usar um requerimento para dizer que fará uma investigação e não investigar “não respeita o luto da família”.

O vereador Pedro Kawai, autor do requerimento, declarou que respeita o voto dos demais vereadores, mas que não admite que o acusem de “usar o luto de uma família” para querer achar respostas. “Estou fazendo meu papel como agente público”, afirmou.  “O que a gente está fazendo aqui se não podemos legislar, se não podemos fiscalizar, se não aprova requerimento? Estamos aqui para dar nome de rua e fazer moção de aplausos?”, questionou a vereadora Silvia Morales (PV), do Mandato Coletivo “A cidade é sua”. A Câmara, porém, aprovou o requerimento que pede informações sobre a disponibilidade do soro antiescorpiônico na UPA e sobre os procedimentos adotados na entrada, classificação de risco, atendimento e transferência da criança à Santa Casa.

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Comentários

1 Comentários

  • Renato 22/08/2023
    deveriam ter aprovado! A cidade precisa saber o que aconteceu na upa