ARTIGO

Como se fosse

Por Walter Naime | 17/08/2023 | Tempo de leitura: 3 min

Alguém terminou o seu trabalho pensando que fosse o último.

Desceu na estação pensando que tinha chegado ao final e em seguida viu o trem partir de novo.

Achou que estava cansado e descansou e ao acordar tudo estava inundado de esperanças.

Observou o pescador por três horas seguidas e no final disse: como é que esse pescador aguenta pescar durante três horas sem pegar nada? Eu aguentei assistir!

Pensou, pensou, pensou e não chegou a nada, continuou pensando e chegou a tudo o que não era.

Esse alguém a quem nos referimos pode ser você e para isso foi lembrado de uma popular história em que o personagem principal sempre recebia elogios e lisonjeios: que era bonito; que era rico; que era inteligente; que era forte e atlético; que era sábio.

Assim diante desse cenário sempre que os elogios e os lisonjeios fossem dirigidos nunca fossem desmentidos. Deixe acontecer como se fosse verdade, como se fosse.

Penteou os seus dez fios de cabelo como se fosse tirar fotografia para o casamento.

Na frente do espelho conseguiu abrir a boca expondo o seu sorriso banguela.

Na casa do caipira da área rural é comum encontrar na sala fotografias da família: pai, mãe, avô, avó e alguns animais de estimação como cachorro, boi ou cavalo. Achando que podia fazer uma gozação em cima do caipira ao se dirigir a fotografia de um burro indagou: Este aqui é mecê? Não sinhô esse daí é “espeio”.

Olhou o inimigo como se fosse adversário e pensou em vencê-lo.

Apertou a mão de quem escondia a outra.

Olhou nos olhos de quem os tinha fechados.

O médico psiquiatra atendendo um paciente que dizia que o jacaré queria comê-lo. Após alguns atendimentos durante seis meses, achou falta do paciente. Numa de suas andanças ao passar em frente da casa do mesmo perguntou a sua mulher como ia indo o marido. A esposa respondeu: o jacaré comeu ele a semana passada.

Cheirou a flor carnívora quando ela estava se alimentando. Não gostou nada.

Cuspiu para cima e se viu embaixo para não deixar sujar o chão.

Ouviu o réquiem de Mozart ao se despedir da namorada que o deixava.

Para alguém que conhecia um pouco de aritmética foi solicitada a “conta”: Quanto é a metade de dois mais dois? Ele disse três e não dois. Foi questionado e respondeu: metade de 2 é 1 mais 2 é três.

Ficou cego de amor quando tudo isso aconteceu. Ganhou uma bengala.

Aprendeu a linguagem braile ao ser demitido como relojoeiro.

Entrou na escola de libras ao ter artrose nas mãos.

Comeu gato por lebre por não ter lido o nome do restaurante, restaurante “miau”.

Bebeu o vinho “Chapinha” pensando que estava na Santa Ceia.

Comeu o pão que o diabo amassou pensando que fosse bolo de aniversário.

Votou no que viu e acertou no que não viu. Continua reclamando da sua pontaria, pois vai ter que comprar novos óculos e pagar a conta que cometeu com seu erro.

Subiu no pau de sebo e ao chegar ao topo, depois de lambuzado viu que a nota de mil era falsa.

Depois de verificar em que tudo em que tinha errado baseava-se em promessas mentirosas, você vai reconhecer que o auto engano se estabelece fora da sua alma.

Se me fiz entender ficamos contentes, senão faça de conta, como se fosse!

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