O Ciatox (Centro de Informações e Assistência Toxicológicas) do Hospital das Clínicas da Unicamp divulgou um alerta sobre a intoxicação de pelo menos dez pessoas por metanol associado à ingestão de álcool de posto de gasolina. De acordo com o estudo, feito por um grupo de pesquisadores do Centro, foram identificados 14 casos de intoxicação na região de Campinas, sendo que quatro deles aconteceram em cidades da RMP (Região Metropolitana de Piracicaba).
Segundo os dados, foram registrados dois casos em Limeira, com uma morte e um não letal, uma morte em Rio Claro e um em Araras, não letal. Outros casos foram relatados em Campinas (duas mortes e uma intoxicação não letal), Sumaré (duas mortes), Itu (uma morte) e Jundiaí (uma morte). As informações foram apresentadas durante coletiva de imprensa, realizada na manhã de ontem (17).
“O presente alerta representa uma situação grave, uma possível ‘ponta de iceberg’ quanto ao número de casos semelhantes ocorridos ou ocorrendo na região e, provavelmente, em outros estados do país”, citou documento assinado pelos cientistas do Ciatox. “De acordo com o coordenador associado do Ciatox, Fábio Bucaretti, em pelo menos dez casos, a intoxicação aconteceu pela ingestão do metanol. A substância está associada à adulteração de combustíveis, principalmente o etanol hidratado. “Dos 14 casos analisados, nós temos a confirmação de que dez foram por intoxicação por metanol, que se converte em ácido fórmico e pode ser fatal” disse Bucaretti.
O professor disse que a ingestão do etanol pelas pessoas está associada ao vício e crises de abstinência, além da condição financeira das vítimas. Em dois casos, as vítimas eram pessoas em situação de rua e, em outros dois, eram moradores de abrigos que atendem a pessoas em vulnerabilidade social. “A abstinência alcoólica e a dificuldade financeira de obtenção de bebidas legalizadas estão entre as motivações que levam essas pessoas a consumir álcool de postos de combustíveis”, disse.
O grupo informou que os pacientes foram expostos a amostras de etanol com presença de metanol acima do limite permitido por lei. “Nesse sentido, nos parece necessária a investigação da origem do metanol e tipo de alteração do combustível pelos órgãos competentes”, afirmou.
Nos casos em que um antídoto foi empregado para o tratamento, o medicamento foi cedido pela farmácia do Hospital das Clínicas, “indicando a carência desse produto na rede regional de atendimento a urgências e emergências do SUS, resultando em atraso do início da admnistração do antídoto”, citou a pesquisa.
“Precisamos ficar atentos a esses casos, porque não é um diagnóstico muito fácil de se fazer. Ele precisa ser pensado, precisa se ter a ideia de que esse tipo de intoxicação pode estar acontecendo”, disse o médico Eduardo Capitani. “Ela pode ser uma intoxicação por etanol, ou outro solvente, ou um medicamento que cause um quadro parecido. Então, é preciso estar em alerta”, concluiu.
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