O Brasil entrou, na última segunda-feira (7) para a lista de países que deram início à fase de testes das CBDC (Moeda Digital de Banco Central, na tradução da sigla em inglês). O Banco Central anunciou que deu início à implementação do Drex, como foi batizado o Real digital. Além do Brasil, 11 países já utilizam moedas digitais e outros 119 estão em desenvolvimento. Na China, o projeto piloto já alcança 260 milhões de pessoas e países como Inglaterra e Japão começaram a desenvolver protótipos da versão digital de suas moedas.
Segundo o Banco Central, o Drex vai funcionar como uma extensão do Real físico, e terá a mesma cotação. O câmbio também será permitido assim que o Drex entrar em funcionamento, já que a tecnologia está em fase de testes.
De acordo com o economista Ricardo Buso, a criação do Drex coloca o Brasil numa posição de adaptação às mudanças tecnológicas que a economia global vem passando. “Muito mais que apenas a versão digital da moeda, ele é uma grande plataforma de infraestrutura. Na prática, ele oferecerá condições para conectar dinheiro digital a ativos financeiros, como ações, títulos públicos, certificados de propriedade de imóveis e automóveis”, explicou. “Um chamado ‘token’, como já existe hoje nos celulares para acesso às contas bancárias, será o grande e seguro autenticador de transações que permite, por exemplo, que o vendedor de um automóvel só acesse o recurso depois que transferir a propriedade”, completou.
A moeda digital é diferente das criptomoedas. O Drex, assim como outras CBDC, será emitido e centralizado por um banco central. “Criptomoedas não são regulamentadas por autoridade financeira e não são emitidas por nenhum país. O Drex respeita essas duas condições. O interesse por criptomoedas está na variação de preço desse ativo, muito ligado à especulação financeira”, disse. “Como o Drex respeitará a paridade com o Real para conversão, um para um, não há especulação ou um mercado específico em torno disso”, completou.
DESVALORIZAÇÃO
Buso afirma que, devido ao perfil conservador do Banco Central, a tendência é a de que a moeda digital não cause a desvalorização do Real físico. “Mantida a condição do Drex como mera extensão do Real, não estamos falando do aumento do dinheiro em circulação, ou de alguma desconfiança no sistema, o que não aponta para nenhum indício de desvalorização do Real”, afirmou.
O economista avalia a criação da moeda digital como positiva. “Pela segurança criada, com garantia do forte Sistema Financeiro Nacional, bem como pela agilidade e dispensa de intermediários, que deve baratear custos financeiros. O caráter instantâneo e a redução de intermediários têm o poder de facilitar a compreensão dos fluxos financeiros para qualquer usuário”, opinou. “O problema de sempre para um país como o Brasil é nossa caótica distribuição de renda, que deve fazer do Drex uma solução para uma minoria, no topo da pirâmide social, e uma espécie de ‘miragem’, a ser usada em frequência muito menor, ao grande contingente da base da pirâmide social”, finalizou.