Lançado em outubro de 2020, o Pix, modalidade de transferência de valores, rapidamente caiu no gosto dos brasileiros por conta da simplicidade do uso. Assim que autorizada, a transferência acontece na hora. Por conta dessa facilidade, o Pix também virou uma alternativa para os clientes pagarem a conta em diversos estabelecimentos comerciais. Tanto que, para algumas pessoas, os pagamentos por meios digitais já são parte da rotina a ponto de saírem de casa sem dinheiro em espécie.
Para o analista de produção de vídeo Guilherme Mofatto, além de deixar o papel de lado, a possibilidade de aposentar a carteira também passou a ser uma opção válida. “Para mim, quanto menos dinheiro na carteira, melhor. Carteira, inclusive, é algo que eu estou abolindo. Só ando com cartão do vale-refeição porque não tem no celular”, disse. “Hoje eu só ando com R$ 50 na carteira, mas por uma emergência. Desde antes do Pix eu já não uso mais dinheiro físico. Primeiro por segurança, acho que não ter o dinheiro me deixa mais seguro. Já paguei pessoas vendendo arte na rua com o Pix”, completou.
Atitudes como a de Mofatto já foram notadas no comércio de Piracicaba. Segundo o comerciante Marco Aurélio Casale, apesar de não ser a principal forma, o pagamento por Pix é um dos mais solicitados pelos clientes da sua loja. “Acredito que hoje, cerca de 30% das pessoas pagam no Pix, 15% no dinheiro e o resto no débito e crédito”, disse. “O meu forte aqui ainda é o cartão de crédito, porque consigo parcelar qualquer valor. Mas hoje tem muita gente que prefere pagar com o Pix”, afirmou o comerciante.
ESPÉCIE EM EXTINÇÃO
Marco observa que o uso do dinheiro em espécie tem diminuído a cada dia no comércio local, e não só em sua loja. “O dinheiro hoje está bem sumido. Eu prefiro muito mais o dinheiro, só que a espécie no mercado sumiu. Vamos supor que o sinal na loja é ruim, até o cliente fazer o Pix, eu já fiz cinco vendas no dinheiro”, comentou.
O comerciante, porém, tenta garantir que, mesmo que a maioria dos clientes prefiram recorrer aos pagamentos digitais, ele consiga atender à a quem prefere pagar no dinheiro. “Aqui, eu nunca fiquei sem troco. Se eu fico sem, depois do trabalho eu tento me virar para no dia seguinte ter o troco”, comentou. “Mesmo que o pessoal esteja pagando mais no Pix e no cartão, eu não deixo de ter o troco. E tem gente que pensa que, por causa disso, não precisa do troco”, completou.
De acordo com o economista Ricardo Buso, a proporção tomada pelo Pix desde o lançamento fez com que o método de pagamento se tornasse um dos favoritos dos brasileiros. “A análise com relação ao papel moeda é mais difícil por conta da rotatividade das cédulas sem ser necessário registro eletrônico. Mas é indiscutível que já há um grande contingente de pessoas que deixou de portar dinheiro físico depois do Pix. É certo que tomou uma grande fatia dos pagamentos em dinheiro”, explicou. “Em janeiro deste ano, o Pix superou as operações com cartão de débito e, logo em seguida, em fevereiro, superou o cartão de crédito nos pagamentos à vista”, completou o especialista.
Mofatto comenta que, atualmente, leva o dinheiro apenas para emergências. “Eu levo R$ 50 comigo, mas para uma emergência. Mas eles estão há dois anos na carteira porque eu, realmente, nunca precisei”, citou.