EM PIRACICABA

Justiça decreta prisão preventiva de policiais envolvidos em tentativa de homicídio

Por André Thieful |
| Tempo de leitura: 2 min
Claudinho Coradini/JP
Caso ocorreu no bairro Novo Horizonte, no dia 9 de maio
Caso ocorreu no bairro Novo Horizonte, no dia 9 de maio

A Justiça de Piracicaba decretou a prisão preventiva de dois policiais militares lotados no 10º Batalhão de Polícia Militar. A decisão judicial acata denúncia feita pelo Ministério Público. Os dois são acusados de terem tentado matar um homem suspeito de roubos e que tem antecedentes criminais, segundo a PM. O caso aconteceu no bairro Novo Horizonte.

De acordo com a denúncia feita pelo Ministério Público, no dia 9 de maio deste ano, por volta das 12h30, sete policiais militares em três viaturas foram até a rua Antônio Flávio de Andrade, no bairro Novo Horizonte, e cercaram a casa do homem. Na sequência, dois dos policiais entraram no imóvel, o abordaram e o levaram para o fundo do imóvel, onde ele foi interrogado sobre mercadorias roubadas e drogas.

Em seguida, os policiais efetuaram disparos de arma de fogo contra ele. “De forma sequencial, em intervalo de tempo de aproximadamente 14 minutos, enquanto a vítima suplicava por sua vida e acuada contra a parede de um corredor dos fundos, (os policiais) efetuaram cerca de três disparos de arma de fogo contra ele alvejando-o no tórax e perna”, como traz a denúncia. Em determinado momento, um dos policiais saiu do imóvel e chamou o resgate, mas, retornou e minutos depois efetuou mais um disparo contra a vítima. O homem foi levado para o HFC (Hospital dos Fornecedores de Cana), onde foi atendido e sobreviveu.

O MP denunciou os dois policiais por tentativa de homicídio com três qualificadoras: motivo torpe, meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. Além disso, o inquérito apontou que os dois policiais que atiraram entraram na casa tetaram alterar a narrativa dos fatos ao exibirem uma arma de fogo não relacionada à ocorrência, para tentar desviar o curso das investigações.

O juiz da Vara do Júri e Execuções Criminais, Luiz Antonio Cunha, acatou pedido do MP e decretou a prisão preventiva dos dois policiais, que já haviam sido presos temporariamente no decorrer do inquérito. Os outros policiais que ficaram do lado de fora do imóvel devem cumprir as seguintes medidas cautelares: comparecer bimestralmente em juízo para informar e justificar suas atividades como forma de se manter o controle sobre as atividades e presença, proibição de manter contato com a vítima, seus parentes e testemunhas e proibição de ausentar-se da Comarca sem autorização judicial, salvo se por motivo justificado de trabalho.

O comando do 10º Batalhão de Polícia Militar emitiu nota sobre o caso. “Esclarece que o inquérito policial foi todo instruído pela Polícia Civil e até o momento o Comando do 10º BPM/I não foi notificado oficialmente da decisão judicial, tampouco medidas cautelares imputadas aos policiais militares”, informou. A nota completa que a Polícia Militar do Estado de São Paulo presa pela legalidade e não coaduna com atos irregulares, estando a disposição da justiça em relação a apuração dos fatos.

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