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República Copacabana de estudantes da Esalq comemora um século com muitas histórias

Por Beto Silva | beto.silva@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 3 min
Alessandro Maschio/JP
Atualmente, cinco estudantes vivem na república exclusiva para homens
Atualmente, cinco estudantes vivem na república exclusiva para homens

No dia 13 de agosto de 1923 o tradicional hotel Copacabana Palace era inaugurado no Rio de Janeiro, na época, capital da República. No mesmo dia, distantes mais de 570 quilômetros, em Piracicaba, um grupo de universitários do Rio de Janeiro, estudantes da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), inaugurava uma república (moradia estudantil). Diante do grande acontecimento em torno do hotel fluminense, os jovens decidiram batizar a moradia de República Copacabana.

E foi assim que teve início a uma história formada por outras histórias, que atravessa décadas, com o lema “A força e a tradição da amizade Esalqueana”. “A República Copacabana foi estabelecida quando um grupo de estudantes de agronomia do Rio de Janeiro decidiu se mudar para Piracicaba para ingressar na renomada instituição de ensino”, enfatiza o estudante de agronomia paranaense Marcos Junqueira, morador da república há quatro anos.

Ele conta que, para ser morador da Copa, como é carinhosamente chamada pela comunidade universitária, não basta ter vontade. É preciso estagiar por um tempo para ser aprovado pelos moradores veteranos. “A gente não vira morador de cara, você precisa passar por um estágio para o pessoal te conhecer e você conhecer a turma. Aí depois de um bom tempo e o pessoal ver que o bicho faz o perfil da república aí ele é efetivado (vira morador)”, explica acrescentando que chegou a estagiar em outra república antes de ser morador efetivo.

Os estudantes não revelam gastos para viver na república, que já foi tema de reportagem em emissoras de TV e de um documentário por uma TV por assinatura. “A República Copacabana tem sido reconhecida pela mídia e já participou de diversos programas de televisão, como Fantástico, Mais Você e Programa do Woody”, relata Marcos.

MORADORES
Entre as inúmeras histórias que permeiam a república, está o fato de ela ter sido moradia do filho do presidente Getúlio Vargas. Em 1943, quando a moradia estudantil já era popular, os moradores chegaram a disputar uma partida de futebol com o time do São Paulo Futebol Clube.

“Sua trajetória é repleta de figuras notáveis que passaram por lá, como o professor Octávio Nakano, que foi capa da Revista Globo Rural nos anos 1980, João Pedro Matta, ex- -presidente da Coopercitrus, Michel Henrique Reis dos Santos, diretor mundial de sustentabilidade da Bunge, Sérgio Giovanetti Lazzarini, fundador do Insper Metrics, e muitos outros”, acrescenta o morador.

REGRAS “Para morar na Copa, deve-se ser uma pessoa de coração bom, não usar drogas e ser feliz”. A frase foi dita por Lázara Aparecida Mendes, conhecida como ‘Veia’, que trabalho na república de 1965 até 2005. Segundo Marcos, ela é uma das pessoas mais marcantes para a continuidade da república. “Ela deixou um legado de ensinamentos e contribuindo para a formação de inúmeros profissionais do agronegócio brasileiro”, conta.

Hoje, a função de cuidar da casa é de Rosângela Maria José (Janja) conhecida por toda a Esalq. “Ela vai em todas as viagens com a gente, trabalha há quase 15 anos na república”, destaca.

O presidente do Centro Acadêmico da Esalq, Antonio Miguel Rodrigues Gonsalez, parabeniza a Copa pelo centenário e destaca a trajetória da república na formação dos profissionais ao longo do último século. “É com imensa satisfação e gratidão que o Calq (Centro Acadêmico Luiz de Queiroz) se dirige a Republica Copacabana, neste ano tão especial em que completam seus 100 anos de existência”, afirma.

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