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Cães de assistência de apoio emocional: Quais suas funções e como atuam?

Por João Paulo Silva Bombo | joao.paulo@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 3 min
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Assim como os outros cães de assistência direcionados para exercerem uma função específica, o cão de assistência de apoio emocional atende a um grande número de pessoas que necessitam de ajuda por apresentarem questões psicológicas, psiquiátricas e condições específicas como transtornos, fobias, distúrbios e também pessoas em fases da depressão, dentre outras questões.
Cães abandonados que eram recolhidos e direcionados para instituições de abrigo para esse fim e que apresentavam um perfil específico de equilíbrio e bom temperamento, começaram a ser selecionados e treinados nos EUA para ajudarem veteranos de guerra, onde os traumas adquiridos afetavam esses combatentes que passavam a apresentar transtorno pós traumático (TEPT) e consequentemente dificuldade de readaptação a sua vida civil, vida familiar e a sociedade.

"A presença e companhia desses cães passaram a trazer conforto, segurança e sensação de acolhimento para que esses veteranos pudessem enfrentar seus traumas e medos, reorganizando aos poucos suas vidas em sociedade", relata Oliveiros Barone Castro, Psicólogo Clínico e pesquisador especializado em comportamento e na relação humano-animal.

Esses cães são treinados para obedecerem a todos os comandos e se comportarem adequadamente em qualquer ambiente sem se assustar com barulhos ou se incomodar com situações adversas, mantendo sempre o foco de observação em seu tutor sem perderem o contexto do ambiente, para que possam atuar na menor manifestação corporal ou olfativa que chame sua atenção ou que possa demonstrar que seu tutor não está bem ou apresente ataques de pânico.

Nesses casos de síndrome do pânico, que podem progredir do TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada), assim como em pessoas depressivas ou fóbicas, dentre outros transtornos ou síndromes, passam a mudar de comportamento, apresentando movimentos corporais específicos, por vezes sutis, mas que não passam despercebidos pelo cão, inclusive porque o odor corporal do suor ou da saliva da pessoa se altera em um processo bioquímico comandado pelas informações recebidas pelo cérebro, sendo detectado pelo olfato apurado dos cães.

"É nesse momento que o cão bem treinado atua. Imediatamente se aproximando da pessoa e encostando em seu corpo, provocando uma reação corporal, pois normalmente a pessoa toca ou abraça o cão, provocando também uma alteração bioquímica no organismo dela.  Hormônios como a oxitocina passam a ser mais produzidos que é considerado como o hormônio do amor, também associado ao sentimento de amizade e paixão, atenuador do estresse e a depressão", explica.
Também conseguem bons resultados para pessoas diagnosticadas dentro do espectro do autismo, sempre com estudo de cada caso com indicativo de equipe multiprofissional, pois além dos benefícios dos efeitos já citados apenas pela presença e contato com eles, podendo ser treinados para estarem presentes na vida diária dessas pessoas, ajudando-as nas tarefas rotineiras, principalmente com crianças, ajudando-as a vestir a roupa e estando perto para acolhe-las em momentos de crise, ou mesmo em episódios de fuga  que costumam surgir em alguns casos. Essas crianças passam a apresentar maior tolerância em permanecerem em locais desconhecidos, bem como se manterem calmas em ambientes que antes não conseguiam.

Outras indicações podem ser adequadas, como o transtorno obsessivo compulsivo (TOC), estágios da depressão, transtorno de personalidade borderline, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), síndrome de Down, dentre outros.

Quanto a legislação, no Brasil só temos a Lei do cão guia, mas ainda não temos uma Lei Federal que abrange os outros cães de assistência. Alguns Projetos de Lei estão sendo avaliados e esperamos que se aprove uma Lei que proteja e abarque todos os outros cães de assistência, permitindo que frequente todos os lugares, ajudando muito mais pessoas.

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