Dados da ONG Aldeias Infantis SOS mostram que as quedas foram as lesões não intencionais que mais levaram crianças e adolescentes com idade entre 0 a 14 anos para o hospital em São Paulo no ano passado. Os dados são relacionados ao período de março de 2022 a março de 2023. De acordo com o levantamento da ONG, foram registrados 10.244 acidentes envolvendo quedas no período de um ano . As outras principais causas de internações são acidentes de trânsito (2.113 casos) e queimaduras (1.622). A SMS (Secretaria Municipal de Saúde) de Piracicaba informou que não tem contabilizado o número de acidentes desse tipo na cidade.
“Os acidentes desse tipo são sempre muito importantes. Em toda a faixa etária infantil, a gente tem uma repercussão importante com relação aos acidentes”, disse Moisés de Oliveira Lara, neurocirurgião da Santa Casa de Piracicaba. O especialista cita que as quedas que envolvem choques na cabeça são situações graves, e quanto mais jovem for a vítima, mais importante é a lesão. “As crianças com idade até um ano sofrem muitos acidentes em ambientes domésticos. O indivíduo mais jovem tem o cérebro que está em formação. Qualquer tipo de lesão em uma pessoa com idade abaixo de um ano, tem uma repercussão muito mais importante do que um indivíduo que tem uma estrutura craniana capaz de proteger mais”, disse o médico. “São frequentes os quadros de epilepsia pós-trauma, deformidade craniana, doenças envolvendo dificuldades de aprendizado comportamento”, disse.
Além dos traumatismos cranianos, as crianças que são afetadas por acidentes envolvendo quedas podem ter problemas em outras partes do corpo, inclusive internas. Segundo Lara, os adultos responsáveis devem prestar atenção a esse tipo de machucado. “Nós temos traumas torácicos, abdominais, lesões viscerais, como baço e fígado, por exemplo”, citou. “Além disso, temos os traumas ortopédicos que, muitas vezes são capazes de mudar a evolução motora e cognitiva de uma criança”, disse.
A recomendação do médico é para que, no caso de uma queda, os pais devem se manter calmos e procurarem um serviço médico o quanto antes. “Nunca negligenciar, nunca considerar uma situação que não precisa ser vista”, orientou.
PREVENÇÃO
Segundo o neurocirurgião, o início das prevenções acontece com a orientação. “O movimento faz parte da vida das crianças. Quando você oferece um brinquedo para uma criança, uma bicicleta, um skate, um patinete, é bom oferecer também a proteção”, disse. “Os cuidados que os pais devem ter com as crianças são sempre fundamentais. Como pais, nós temos que proteger, não podemos deixar as crianças expostas a situações de risco sem que haja a observação de um adulto”, finalizou.