DRAMA NA NOITE

Grávida, mulher em situação de rua sofre com as madrugadas frias (VER VÍDEO)

Por Erivan Monteiro | erivan.monteiro@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 3 min
Foto e vídeo– Alessandro Maschio/JP
Saona Cristina disse que está nas ruas, pois ‘não deu certo com os parentes’ e sonha com um emprego fixo e uma residência
Saona Cristina disse que está nas ruas, pois ‘não deu certo com os parentes’ e sonha com um emprego fixo e uma residência
A noite deste sábado (17) será mais um momento de sofrimento e preocupação para Saona Cristina de Souza, de 41 anos. Grávida de quatro meses, a mulher está em situação de rua há sete anos e tem sofrido muito para proteger seu bebê e a si própria durante as madrugadas geladas dos últimos dias. Ela está atualmente na região da Praça José Bonifácio, no Centro.
 
Na madrugada desta sexta-feira (16), que registrou temperaturas baixíssimas, ela sentiu muito frio, confessou à reportagem do Jornal de Piracicaba. “Estou esperando nenê e minha barriga começou a doer muito. Com uma coberta que me deram, a gente forrou o colchão e deu uma amenizada no frio; senão, era perigoso endurecer tudo”, revelou.
 
Ela disse que tem “se virado” como pode e conta com a ajuda de OnGs e de pessoas bondosas que doam alimentos e cobertores não somente para ela, mas também para as demais pessoas que estão na mesma situação. Um problema adicional vivido, além do frio intenso, é a chuva, que chega forte e molha cobertas e demais pertences.   
 
“Por mais que a gente coloque um plástico, papelão, molha toda a coberta, em uma situação precária. Mas tem umas pessoas de OnGs em Piracicaba que são muito boas. Ontem (sexta-feira), vieram e deram sopa quente e umas cobertas novas e ajudaram a passar essa noite, que estava muito gelada”, disse. 
 
Saona contou ainda que recebe uma ajuda do governo, mas esse dinheiro não cobre todas as despesas para pagar um aluguel. “A imobiliária exige fiador; e direto com o dono não tem mais como alugar casas. Agora, ficou muito difícil”, declarou a mulher, que tem conseguido mais algum recurso vendendo esporadicamente produtos nos semáforos da região central. 
 
Saona disse que está nas ruas, pois “não deu certo com os parentes”. Já fez telecurso e curso de modelo, quando era mais jovem, mas não teve oportunidades para conquistar uma ascensão profissional. Enquanto espera por uma chance de trabalho, ela tenta se proteger das noites frias ao lado de outras inúmeras pessoas que também vivem em situação de rua na região central de Piracicaba.  
 
PISCINEIRO
Alguns profissionais também sofrem com os dias mais gelados em Piracicaba e região. Garis, motoristas, empregadas domésticas e trabalhadores em geral que atuam ao ar livre ou ainda pessoas de precisam exercer suas funções com água, por exemplo, estão mais preocupados com esses dias frios. 
 
José Antonio Teixeira Leite, o Preté, de 74 anos, é um conhecido maratonista de Piracicaba. Entretanto, ele ganha a vida como piscineiro e sofre na pele os efeitos do frio. “Trabalho como piscineiro desde fevereiro de 2002, de segunda, terça, quinta e sexta-feira. Nesta época de muito frio e ainda com chuva, torna-se mais difícil de se proteger; o corpo fica todo gelado”, relata.
 
Apesar da dificuldade, ele conta que segue com profissionalismo e não falta ao trabalho, pois acredita ser um serviço importante para as pessoas. “Mesmo com esse tempo, eu não deixo de ir nas residências, para manter a qualidade da água da piscina, como Ph, alcalinidade e o cloro, todos nos níveis corretos”, finalizou. 

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