VULNERABILIDADE

‘O frio dói, machuca’, diz morador de Piracicaba que vive nas ruas há 8 anos

Por Ronaldo Castilho |
| Tempo de leitura: 3 min
Claudinho Coradini/JP
Júlio Berto da Costa e Silva é de Piracicaba e há oito anos mora na rua. “Olha, não é fácil esta época do ano, é muito frio, muito triste, a maioria das pessoas que ficam na praça José Bonifácio não tem cobertor, não tem uma blusa de frio. Como tem um tempo que estou morando na rua, costumo ajudar outras pessoas, mas é muito triste passar frio, as cobertas estão todas molhadas devido à chuva. Essa noite, por exemplo, eu dormi em uma coberta molhada”, contou, emocionado.
 
Júlio ainda disse que as igrejas evangélicas ajudam muito com alimentos. Sobre o Núcleo de Acolhimento Califórnia, ele disse que é muito longe da área central. “Não temos condições de ir até lá, pois não temos passe de ônibus”, reclamou.
 
Moradores em situação de rua são especialmente vulneráveis durante períodos de frio intenso. Eles enfrentam desafios significativos para se manterem aquecidos e protegidos durante o clima frio, o que pode levar a sérios problemas de saúde e até mesmo à morte por hipotermia. Na madrugada de quinta (15) para sexta-feira (16), os termômetros marcaram temperaturas próximas de 9º C em Piracicaba, com ventos moderados que baixaram a sensação térmica, proporcionando um cenário de inverno rigoroso. A massa de ar frio que se estabeleceu sobre a cidade contribuiu para a queda brusca das temperaturas.
 
A Smads (Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social) deu início à OBT (Operação Baixas Temperaturas), ação que intensifica o atendimento às pessoas em situação de rua, com o objetivo de minimizar impactos e riscos de hipotermia. As ações ocorrem de maio a setembro, e sempre quando houver baixas temperaturas, com sensação térmica igual ou inferior a 13ºC.
 
 
As equipes do Seas (Serviço Especializado em Abordagem Social) estão intensificando as abordagens diárias até as 20h, para atender, orientar, encaminhar para a rede socioassistencial e ofertar o acolhimento emergencial. Conforme aceitação, as pessoas são encaminhadas para os serviços da Assistência Social, realizados em parceria com as organizações sociais, como, por exemplo, o Núcleo de Acolhimento Califórnia. Em casos de não aceitação, a equipe oferece cobertor.
 
O Centro Pop (Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua), considerado a porta de entrada para os serviços da rede, reforçará os encaminhamentos para os pernoites. A população poderá solicitar o atendimento por meio dos telefones do Seas (19) 99446-4389 ou (19) 99446-5654, até as 20h, e pelo 153 após o horário.
 
O serviço de acolhimento em Casa de Passagem atende as pessoas em situação de rua e seu animal de estimação, dentro das possibilidades de organização interna e sem prejudicar a convivência e coletividade dos indivíduos. 
 
 A Smads, em parceria com o Crami (Centro Regional de Registro e Atenção aos Maus Tratos na Infância) e Indsat (Indicadores de Satisfação dos Serviços Públicos), ainda segue com a aplicação de questionários do Censo Municipal da População em Situação de Rua 2023, com o objetivo de obter dados atualizados que possam contribuir para a qualificação e mudanças necessárias nos serviços voltados a essa população.
 

Comentários

1 Comentários

  • Paulo Messias Oliveira Fernandes 18/06/2023
    Tem gente na rua isso é fato mas , tem muitos questão porque prefere. Tinha um comércio na região da Paulicéia e o que mais eu via era , muitos desse pessoal trocarem e venderem o que ganhavam , roupas ,calçados cobertas e até comida