HABITAT

Capivaras são vistas com frequência no entorno da orla do Rio Piracicaba

Por Ronaldo Castilho | ronaldo.castilho@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 2 min
Alessandro Maschio/JP
Famílias de Capivaras vivem às margens do Rio Piracicaba
Famílias de Capivaras vivem às margens do Rio Piracicaba

As capivaras, encantadores animais que habitam as proximidades do Rio Piracicaba, são uma visão comum ao atravessarem a avenida Beira Rio em direção ao Parque da Rua do Porto, principalmente durante as noites. Essas criaturas noturnas possuem uma tendência peculiar de aparecerem sob as estrelas. O engenheiro agrônomo entomólogo, doutor em conservação de ecossistemas florestais e membro da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), Carlos Alberto Perez, revelou informações intrigantes sobre o comportamento desses animais. Eles costumam perambular às margens de rios, lagoas e açudes, porém, um aviso importante é emitido: o carrapato-estrela pode estar presente nesses locais. “Os carrapatos-estrelas são encontrados onde as capivaras transitam, assim como em pastagens que abrigam cavalos”, alertou o especialista.

A capivara, além de ser um animal que chama a atenção, é um dos hospedeiros do carrapato-estrela (amblyomma cajennense), um perigoso vetor da Febre Maculosa Brasileira. Essa doença é transmitida pelos carrapatos, que atuam como reservatórios da bactéria Rickettsia rickettsii, um microrganismo responsável pela febre maculosa. Perez enfatiza a importância de se proteger contra esse risco: “Ao sermos picados por um carrapato-estrela infectado com a bactéria, que contraiu ao se alimentar de uma capivara infectada, corremos o perigo de contrair a febre maculosa”.

A doença tem início repentino, manifestando-se por meio de sintomas semelhantes aos de outras infecções, como febre alta, dores pelo corpo, dor de cabeça, perda de apetite e fadiga. Posteriormente, pequenas manchas avermelhadas surgem e se tornam protuberantes. “Se alguém sentir dor de cabeça, febre alta, dores musculares e fraqueza, é crucial procurar imediatamente uma unidade de saúde e informar ao médico que foi picado por um carrapato-estrela”, alertou o especialista.

As capivaras podem viver entre 15 e 20 anos e estão sujeitas a predação por serpentes, jaguatiricas, onças e até mesmo jacarés. Com base em estudos anteriores, estima-se que existam cerca de 12 grupos de capivaras na Esalq/USP, totalizando de 350 a 400 animais que habitam principalmente as proximidades dos corpos d’água.

Vale ressaltar que o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) não inclui as capivaras na lista de animais considerados domésticos. Portanto, é ilegal criar e manter esses animais silvestres fora de seu habitat natural.

CAPIVARA FILÓ

Surpreendentemente, Agenor Tupinambá, um influenciador de 23 anos e estudante de engenharia agronômica na Ufam (Universidade Federal do Amazonas), criou uma capivara chamada “Filó” desde que ela era pequena em sua casa. Essa situação chamou a atenção das autoridades, que chegaram a retirar o animal de sua posse. A apreensão de Filó gerou ainda mais repercussão nas redes sociais. Após alguns dias, um juiz determinou que Filó fosse devolvida a Agenor, concedendo-lhe a guarda provisória do animal. Segundo o magistrado Filó já vivia no seu habitat natural.

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