As capivaras, encantadores animais que habitam as proximidades do Rio Piracicaba, são uma visão comum ao atravessarem a avenida Beira Rio em direção ao Parque da Rua do Porto, principalmente durante as noites. Essas criaturas noturnas possuem uma tendência peculiar de aparecerem sob as estrelas. O engenheiro agrônomo entomólogo, doutor em conservação de ecossistemas florestais e membro da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), Carlos Alberto Perez, revelou informações intrigantes sobre o comportamento desses animais. Eles costumam perambular às margens de rios, lagoas e açudes, porém, um aviso importante é emitido: o carrapato-estrela pode estar presente nesses locais. “Os carrapatos-estrelas são encontrados onde as capivaras transitam, assim como em pastagens que abrigam cavalos”, alertou o especialista.
A capivara, além de ser um animal que chama a atenção, é um dos hospedeiros do carrapato-estrela (amblyomma cajennense), um perigoso vetor da Febre Maculosa Brasileira. Essa doença é transmitida pelos carrapatos, que atuam como reservatórios da bactéria Rickettsia rickettsii, um microrganismo responsável pela febre maculosa. Perez enfatiza a importância de se proteger contra esse risco: “Ao sermos picados por um carrapato-estrela infectado com a bactéria, que contraiu ao se alimentar de uma capivara infectada, corremos o perigo de contrair a febre maculosa”.
A doença tem início repentino, manifestando-se por meio de sintomas semelhantes aos de outras infecções, como febre alta, dores pelo corpo, dor de cabeça, perda de apetite e fadiga. Posteriormente, pequenas manchas avermelhadas surgem e se tornam protuberantes. “Se alguém sentir dor de cabeça, febre alta, dores musculares e fraqueza, é crucial procurar imediatamente uma unidade de saúde e informar ao médico que foi picado por um carrapato-estrela”, alertou o especialista.
As capivaras podem viver entre 15 e 20 anos e estão sujeitas a predação por serpentes, jaguatiricas, onças e até mesmo jacarés. Com base em estudos anteriores, estima-se que existam cerca de 12 grupos de capivaras na Esalq/USP, totalizando de 350 a 400 animais que habitam principalmente as proximidades dos corpos d’água.
Vale ressaltar que o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) não inclui as capivaras na lista de animais considerados domésticos. Portanto, é ilegal criar e manter esses animais silvestres fora de seu habitat natural.
CAPIVARA FILÓ
Surpreendentemente, Agenor Tupinambá, um influenciador de 23 anos e estudante de engenharia agronômica na Ufam (Universidade Federal do Amazonas), criou uma capivara chamada “Filó” desde que ela era pequena em sua casa. Essa situação chamou a atenção das autoridades, que chegaram a retirar o animal de sua posse. A apreensão de Filó gerou ainda mais repercussão nas redes sociais. Após alguns dias, um juiz determinou que Filó fosse devolvida a Agenor, concedendo-lhe a guarda provisória do animal. Segundo o magistrado Filó já vivia no seu habitat natural.
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