Cães e tutores possuem uma relação de companheirismo e amor. Para pessoas com deficiência visual, a relevância do cão-guia na vida de seus donos torna-se ainda mais importante. Eles são treinados para ajudar, atuando como uma extensão de seus usuários.
De acordo com dados do IBGE, no Brasil, 7 milhões de pessoas são deficientes visuais e existem apenas 150 cães- -guia em atividade no País, o que acaba resultando em um tempo maior na fila de espera – que pode ser de anos.
A história dos cães de assistência teve início com o cão-guia, e começa na primeira guerra mundial, onde no front de batalha era utilizado o gás de cloro que cegaram milhares de soldados. Foi quando o médico alemão Gerhard Stalling, teve a ideia de treinar cães em grande escala.
A partir desse momento, outros países começaram a treinar cães para guiar pessoas com baixa visão e cegas, abrindo escolas e instituições para esse fim. No Brasil a Sra. Hilda Munhoz, refugiada de guerra, viu esses cães na Alemanha e ao chegar aqui percebeu que não haviam cães com esse tipo de treinamento. Voltou a Alemanha para aprender e, na década de 1960, treinou o primeiro cão-guia do Brasil, uma boxer chamada Blenda, que foi entregue a uma pessoa cega do Nordeste do país.
O responsável pelos Cães de Assistência de Piracicaba e treinador desses animais, Oliveiros Barone Castro, explica que um cão deve ser selecionado, socializado e treinado em um processo que leva mais de dois anos. Precisam apresentar habilidades e demonstrar potencialidades para entrar no processo de socialização e treinamento. No final, é feito a formação da dupla paraaadaptação da pessoa e do cão para caminharem juntos de forma seguraetecnicamente adequada, proporcionando melhor mobilidade do tutor.
São treinados não só para guiar, mas para desviar dos obstáculos rasteiros, médios e aéreos. Obstáculos rasteiros são todos aqueles que ficam no chão como buracos, degraus e depressões, os médios, são aquelas lixeiras que ficam na parede e os aéreos são galhos de árvores portões basculantes abertos, dentre outros.
“O cão-guia tem como função principal guiar a pessoa pelo melhor caminho com a maior segurança para chegar ao objetivo solicitado pela pessoa por comando verbal e gestual. Esses cães são treinados para chegar a uma farmácia, padaria, elevador, bilheteria, ponto de ônibus, metrô ou ao trabalho da pessoa sem errar”, comenta Oliveiros.
Para que uma pessoa possa receber um cão-guia, necessariamente precisa ter feito um curso de orientação e mobilidade e ter usado a bengala por pelo menos dois anos. Esse curso ensina pessoas cegas e com baixa visão a se localizarem nos espaços, para que, por exemplo, possam atravessar uma rua, embarcar em uma trem ou entrar em um elevador com segurança.
“Tecnicamente não é só o cão que guia, mas sim a dupla, pois o cão obedece a comandos do seu condutor e só age a partir deles.Aúnica vez que o cão age com independência éoque chamamos de desobediência inteligente que é quando, em uma situação de perigo iminente ele desobedece a seu condutor para evitar acidentes. Outro ponto importante a se destacar é, ao se deparar com um cão-guia, não o distraia ou mexa com ele, principalmente se estiver guiando a pessoa. Se a dupla estiver parada, fale com seu condutor e tire suas dúvidas”.
Esses animais se aposentam de sua função com a média de nove anos,esubstituído por outro já treinado. Quase a totalidade dos cães-guia que exerceram sua função ficam com seus condutores e sua família ao se aposentar ou retornam ao centro de treinamento ou mesmo ao seu treinador e nunca são abandonados.
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