O Shopping Popular Municipal Clélia Barbosa de Oliveira, o famoso Camelódromo, não é apenas um tradicional ponto do comércio que vende artigos de qualidade a preços mais acessíveis. O local traz histórias de vida que estão sendo passadas de geração para geração. É o caso de Gilberto Camargo, de 63 anos, um dos primeiros a chegar à praça Enes Silveira Melo, ao lado do TCI (Terminal Central de Integração). “Ser camelô está no meu sangue. Meu pai foi o primeiro camelô que atuou por aqui. Estou nesse ramo há mais de 30 anos”, conta ele, que vende roupas.
Andréa Luciana Ferraz Barbosa Santos está no Camelódromo desde 2007. Trabalha com eletrônicos e acessórios para celular. “Tomei a decisão de trabalhar como ambulante porque eu trabalhava em uma empresa e fui demitida. Com o dinheiro da minha rescisão, comprei algumas roupas e resolvi vir para cá”, relembra ela. Não foi uma jornada fácil. “Na época, tinha muita gente trabalhando na praça do Terminal Central e comecei também. Mas, em poucos dias, a prefeitura tirou todos dali, então, começou a nossa luta na tentativa de conseguir um box para trabalharmos, e graças a Deus, isso foi possível. Foi muito difícil no início, pois não sabia direito que tipo de mercadoria vender, mas, depois, tivemos uma fase muito boa, na qual vendíamos super bem”, conta Andréa, que aguarda a retomada da economia. “Eu gosto muito de trabalhar aqui, consigo ajudar na renda da casa e melhor ainda: ser uma mulher independente”.
REFORMA
O anúncio da prefeitura dias atrás da reforma do Camelódromo foi comorada pelos permissionários. Orçada em R$ 62 mil, a obra inclui reforma das instalações hidráulicas, rede elétrica, piso e pintura do espaço, criado em 1995 e que conta com 107 boxes. Há quase 30 anos que os permissionários aguardam por melhorias. Elizangela Jansen Pereira, de 50 anos, presidente da comissão de permissionários do Shopping Popular Municipal, está no local desde 2009 e vende bonés, carteiras e acessórios masculinos. Ela lista melhorias que o espaço precisa: troca do teto (“telha de amianto”), da fiação (“muitos gatos”), piso (“tudo remendado”), além de pintura. Ela também cita a necessidade de bebedouros, cozinha, banheiros e sistema de ventilação.
Elizangela aponta que o diferencial dos produtos que vendem é o preço. “E a qualidade melhorou muito, temos muita variedade, para adultos, infantil, acessórios. Além de Elizangela, também integram a comissão - chamada Águia – os permissionários Jair, Regina, Maria, Vitor, Heleno e Madalena – todos camelôs que dão o sangue todos os dias no local. “Muita gente já prometeu benfeitorias neste espaço, mas as promessas nunca foram cumpridas. Os camelôs de Piracicaba estavam esquecidos até então”, pontuou Elizangela. Ela revelou, conforme divulgado pela prefeitura, que sempre foram os próprios comerciantes que bancaram as obras de manutenção no local. José Luiz Guidotti Júnior, titular da Semdettur, lembrou que a reforma do Shopping Popular Municipal era uma antiga reivindicação dos permissionários e que há mais de 28 anos nenhuma obra de manutenção é realizada no local pelo poder público. “Tomamos essa iniciativa em respeito aos comerciantes locais”, disse Guidotti.
Fernando Reis, chefe do setor de ambulantes da Semdettur, acredita que a reforma, além de melhorar a apresentação do espaço, vai incentivar um fluxo maior de pessoas pelos corredores comerciais contribuindo assim para aumentar as vendas dos camelôs.