MUNDO ANIMAL

Jacarés no lago: moradores de Charqueada temem ataques

Por Ronaldo Castilho | ronaldo.castilho@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 3 min
Alessandro Maschio/JP

Os moradores de Charqueada, cidade que faz parte da RMP (Região Metropolitana de Piracicaba), estão preocupados com a presença de jacarés-de-papo-amarelo que se instalaram no Lago dos Biris, no Centro. Neste lago, alguns jacarés são vistos com frequência por populares que passam todos os dias para fazer caminhadas, exercícios físicos e até por crianças que brincam em uma área de lazer.

O jovem Erick Marisa faz exercícios junto com seu cão na área próxima ao Lago dos Biris. “É um perigo para população, principalmente para as crianças que brincam no parquinho, não tem nenhuma proteção, acho que vão esperar acontecer alguma coisa para tomarem providências”, alertou.

O secretário de Obras, Serviços, Agricultura, Abastecimento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Charqueada, Marcelo Santos, disse que a presença dos jacarés é um problema de anos do município. “É um animal nativo da região, eles habitam em um espaço mínimo de sobrevivência, ainda mais se não tem nenhum tipo de caça, ou ato que impeça a sua sobrevivência, acabam disseminando e, no nosso lago, de uns 15 a 20 anos, começou ter o surgimento desses animais, não se sabe como eles chegaram até aqui”, disse.

Foi instalado diversas placas de alertas para população, para que não se aproxime do lago. “Não é um animal que corre atrás do seres humanos, ele não ataca, a não ser que se aproxime dele, principalmente nas proximidades dos ovos, essas áreas estão cercadas”, esclareceu.

Ainda segundo o secretário, será realizado um estudo com veterinários responsáveis da área que vão iniciar o levantamento da população para entender melhor a questão da idade, sexo dos jacarés, locais de movimentação, para depois informar o departamento de fauna.

Segundo a protetora dos animais Thaty Duda, é ruim para qualquer animal ser retirado do habitat que ele está acostumado. “É oportuno fazer uma cerca de proteção, para evitar que pessoas possam maltratar os animais, é necessário fazer um estudo com biólogos para ver a questão da reprodução para ter um equilíbrio, e se for necessária a transferência de alguns, que seja em um local mais adequado e natural possível para que eles continuem a sua vida.  Como no lago não tem predadores, a tendência da reprodução se torna maior”, disse.

A bióloga e membro do SPPA (Sociedade Piracicaba de Proteção aos Animais), Cristiane Naval Filletti, disse que defende o direito desses jacarés de permanecerem no local. “Temos que proteger esses animais de pessoas que os maltratem e cometam crimes ambientais, os jacarés são territorialistas, as fêmeas principalmente, pois têm a questão de proteção dos ninhos. A remoção requer muito estudo pois, além de causar impacto em outras áreas, pode causar a morte deles”, disse.

O departamento de Fauna do Estado de São Paulo enviou uma nota ao JP: "conforme disposto na Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal 9608/1998) e Resolução SIMA 115/2022, manejo de espécies da fauna silvestre, obrigatoriamente, requerem autorização do órgão ambiental, no caso do Estado de São Paulo, este Departamento de Gestão da Fauna Silvestre. Até o momento, apesar de ter sido orientado por nossa equipe técnica, o município não entrou com requerimento para autorização para manejo dos jacarés".

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