Sobre o desafio de ser mãe, a escritora Cecília Meireles definiu: “Nossos filhos têm outro idioma, outros olhos, outra alma. Não sabem ainda os caminhos de voltar, somente os de ir”. Para mulheres como Josy Bailo e Juliana Castilho, a vontade de ser mãe foi além dos limites da genética e da anatomia e levou em conta apenas o sentimento de embalar um filho nos braços e chamar de seu. Este foi o único caminho que elas souberam seguir.
A primeira, servidora pública, percorreu um longo caminho em consultas e exames médicos, alguns deles desconfortantes, até decidir adotar uma criança. Após mais de cinco anos de espera, ela teve o seu primogênito João Pedro. O pequeno foi adotado, mas foi eéquerido e amado incondicionalmente, como a mãe garante. Tudo caminhava bem, Josy chegou aos 44 anos com a maturidade de toda mulher que é filha, esposa e mãe. Após alguns desconfortos procurou seu médico e recebeu a notícia: estava grávida. Sim, uma criança se formava dentro dela após tantos anos de esperaeda recente desesperança, ofuscada pela presença de João Pedro, então com três anos de idade.
Nove meses depois, chegou Vinícius, hoje com 12 anos. A família tão esperada e acalentada, enfim, se formou. “Hoje me sinto a mulher mais feliz e realizada, sempre soube que seria uma boa mãe pela base familiar que tive e pelos exemplos que a minha mãe me passou, sinto não tê-la mais ao meu lado, mas a sinto em meu coração e sei que ela me ajuda nessa jornada que ela desempenhou tão bem”, conta emocionada.
Para a motorista Juliana Castilho, os desafios da maternidade foram mais intensos e a obrigaram a vencer, primeiro, o preconceito. A mulher trans de 45 anos é madrasta de João Miguel, de três anos. “Sou ‘mãedrasta’ de um menino e acho que o maior desafio é ter responsabilidade, amor e, acima de tudo, respeito pela criança”, afirma. Quanto ao preconceito de ser uma mãe trans ela afirma que foi preciso mostrar a todos que ‘tudo é possível quando envolve amor’. “Há tantos héteros que não têm amor pelos seus filhos, não cuidam não dão a educação básica não conversam sobre as diferenças, sobre drogas, sobre relação amorosa. Algumas pessoas se chocam sim, mas ao mesmo tempo elas acham bonito a forma carinhosa, o amor e o cuidado que tenho com nosso filho, enfim,o amor vence tudo e todos os obstáculos e sempre faz a diferença. Nossa criança é muito amada”, conta orgulhosa.
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