Toda primeira quarta-feira do mês de maio é marcado pelo Dia Mundial da Saúde Mental Materna, e por ser também o mês das mães. Para celebrar a data de para quem está passando pelo período da gravidez e puerpério, existe a Campanha Maio Furta-Cor – movimento nacional que visa sensibilizar a população para a causa da saúde mental materna. A ação realizará palestras, rodas de conversas, entrevistas, capacitação de equipes de saúde durante o Marcha Maio Furta-Cor, no dia de 13 de maio, às 16h, na Estação da Paulista.
A Campanha nasceu em 2020, em Curitiba, e carrega três representantes em Piracicaba: as psicólogas Aline Meneses e Rafaela Zucareli, e a dentista Ludmila Tavares. “É uma campanha comunitária sem fins lucrativos, democrática e apartidária, que acontece de forma espontânea e voluntária pela ação de pessoas no Brasil e no Mundo que se mobilizam durante o mês de maio para fomentar discussões, refletir sobre o assunto, que hoje é uma questão de saúde pública”, explica Aline Meneses. “A ideia da Marcha é sairmos em movimento, estarmos juntas, para reforçar a importância de nossa causa. Precisamos que todos saibam: “só é preciso mudar o mundo, cuidando de quem cuida de todo mundo”, conclui.
A Saúde Mental Materna pode ser entendida como a saúde mental da gestante, da parturiente, da puérpera, da mãe. “O tema de saúde mental traz um forte estigma social e quando entra no campo materno, isso se potencializa. Há uma ideia de que a maternidade representa um momento de grande realização e satisfação, não tendo espaço para outros sentimentos e percepções que se diferem dessa ideia inicial. Porém o que observamos é que o sofrimento mental pode ser intenso e levaraquadros de ansiedade, depressão e até mesmo suicídio ou infanticídio”, cita Ludmila Tavares.
Portanto,ocuidado com a saúde mental da mãe é de extrema importância. “O cuidado se inicia com uma assistência adequada durante o pré-natal, que tenha o foco não somente nas questões biológicas e obstétricas, mas que considerem aspectos sociais, emocionais, familiares, conjugais, pessoais e profissionais”, enfatiza Rafaela Zucareli. “Este acompanhamento deve ser continuado após o parto. O ideal seria até pelo menos 12 meses após o parto, principalmente para mulheres que apresentam algum transtorno mental”, finaliza.
O pós-parto, também conhecido como puerpério, é um período de grande vulnerabilidade e comparado por alguns autores à adolescência, em razão das inúmeras transformações e intensas vivências emocionais para a mulher. “Há grande risco psíquico, em que as mudanças tanto pelos processos anatômicos, fisiológicos e bioquímicos, mas também referentes a adaptação dessa nova fase, aos aspectos afetivos propiciam de forma potencializada o desencadeamento de transtornos mentais, como ansiedade, depressão e psicose”, explica Meneses.
A saúde mental da mãe pode afetar o bebê. “Quando a saúde mental materna está prejudicada, pode ter impactos no bebê, com risco aumentado de dificuldades na amamentação, precariedade dos cuidados, vínculo enfraquecido e apego inseguro que irá refletir no desenvolvimento durante a 1ª infância”, finaliza.