AUMENTO

Surtos de Mão-Pé-Boca aumentam em 3.000% em um mês, segundo secretaria de Saúde

Por Roberto Gardinalli | roberto.gardinalli@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 2 min
Claudinho Coradini/JP
Roberta Maciel com a filha Cecília, que está se recuperando
Roberta Maciel com a filha Cecília, que está se recuperando

Dados da SMS (Secretaria Municipal de Saúde) de Piracicaba, mostram que até ontem (28), a cidade registrou 31 surtos de Mão-Pé-Boca em escolas ou creches. O número aumentou em 3.000% desde o último dia de março, quando a SMS informou que apenas um surto tinha sido registrado na cidade à época. Em comparação a 2022, quando a cidade registrou no ano 11 surtos da doença, o aumento foi de 181%. Até março, 21 casos suspeitos estavam em análise.ASMS, porém, não informou quantos foram confirmados.

Apesar do aumento, a Vigilância Epidemiológica informou que a cidade não está em estado de alerta, já que a doença, causada por um vírus, é curada espontaneamente em alguns dias.“A síndrome tem resolução espontânea dentro de alguns dias”, citou a Saúde. “Por orientação da Vigilância Epidemiológica, as creches devem fazer a notificação dos casos, por meio da saúde do escolar. A criança com os sintomas deve ser encaminhada ao médico, que pode indicar o afastamento da creche ou escola pelo tempo necessário”, citou.

Os principais sintomas da síndrome são febre, mal-estar, perda de apetite, vômitos e dificuldade ao engolir. Além disso, o surgimento de feridas na região da boca, mãos e pés podem indicar a contaminação pelo vírus.Adoença não evolui para estágios graves.

Um dos casos registrados da doença éoda Cecília, de 11 meses, filha da advogada Roberta Capozzi Maciel. No começo da semana, ela foi alertada pela professora sobre o surgimento de algumas das feridas características da doença, e perceberam o surgimento de uma bolhinha na região do lábio de Cecília. “Na segunda, quando fui buscá-la, a professora falou que algumas crianças na semana anterior estavam com a Mão-Pé-Boca, e que elas tinham notado uma feridinha perto do lábio. Fomos ao médico e ele falou que se fosse, estava muito no início”, disse.

Na madrugada, porém, Cecília começou a apresentar outros dos sintomas. “Ela começou a ter febre, vômito, e desde então, ela não está indo para a escola. Estamos medicando e hoje ela já está melhor clinicamente. Já voltou a dormir, mas agora está com mais feridinhas”, contou.

Segundo o infectologista Tufi Chalita, a Mão-Pé-Boca é uma síndrome muito fádcil de se espalhar, devido à alta transmissibilidade, e acomete principalmente as crianças porque estão na fase de desenvolvimento do sistema imunológico. “A transmissão é muito fácil, se dá pelo toque ou contato com gotículas de saliva”, explicou.

De acordo com o médico, a doença dificilmente acomete os adultos, já que ao primeiro contato com o vírus, o corpo cria imunidade permanente. “A maioria de nós, se não teve a doença, teve contato com o vírus e o corpo já criou a imunidade. No caso das crianças, não, porque ainda está em desenvolvimento”, explicou.

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