Passar do centenário com uma boa saúde, lucidez e ainda com uma grande vontade de conquistar sonhos é para poucos, nem todos têm esse privilégio. Mas, nesta semana, Piracicaba celebrou mais uma figura ilustre com essa conquista: o aniversário de Palmyra Frias Trevisan, que completou 104 anos na última terça-feira, dia 18. Com direito a festa, o Jornal de Piracicaba não deixou passar esse momento especial!
Durante a nossa entrevista na residência de idosos Terça da Serra, no Centro, onde Palmyra está há cinco anos, sua primeira frase foi: “100 anos é muita história para contar, será que serei capaz de me lembrar de tudo?”, brincou ela. Mas, cá vamos nós, contar mais uma história que pertence a Piracicaba.
Nascida em 18 de abril de 1919, Palmyra Frias Trevisan nasceu na Fazenda Taquaral, onde passou toda a sua infância e adolescência. Filha de Angelo Frias e Celeste Ondei Frias, é a mais velha de nove irmãos, sendo cinco ainda vivos. “Cresci lá, estudei, e eu era uma boa aluna, primeira da classe, eu peguei a substituição com 15 anos”, disse.
O amor e o apreço pelos irmãos são enormes. “Eu sou a primeira e fui responsável por quase tudo. Foi muita responsabilidade por ser a primeira. Meus irmãos eram como os meus filhos, me dedicava muito e não queria nem sair de casa, nem casar para não deixá-los”, conta.
Anos depois, à medida que os irmãos iam crescendo, conquistando seus próprios empregos, seu pai alugou uma casa na cidade. “Meu pai alugou a casa, eu vim para a cidade junto. Também continuei com as minhas freguesias que na cidade tinham mais facilidade no que na fazenda. Na época, me dediquei ao serviço e meus irmãos”, comenta. “Me dediquei também aos serviços manuais, como costura, moda, fui muito bem-sucedida. Eu tinha uma sala de costura, uma boa freguesia e foi muito bem. Gostava de fazer bordados. Trabalhei com muitas roupas de crianças e entreguei para lojas”, disse. “Até pouco tempo eu ainda fazia tricô e crochê, mas a vista está muito comprometida e, então, eu parei de fazer”, completa.
Logo após, uma decisão precisou ser tomada: necessitou deixar a sua paixão pela costura por um tempo. Sua mãe não estava bem de saúde, e ela precisou tomar conta da casa e ajudá-la.
“Eu mudei muito meu ateliê, minha mãe não queria mais sala de costura em casa, fazia muito movimento, achava que as freguesas davam muito trabalho. Dizia que eu me dedicava mais às freguesas do que para ela, ficou enciumada”, conta a centenária. Ela também relembra que depois uma de suas irmãs precisou voltar para a casa e precisou de uma professora de costura e, então, ela mais tranquila na época, ensinou. “Depois disso, eu preferi ficar em casa, voltei a trabalhar em casa e eu ganhava mais do que trabalhar fora”, esclareceu.
No fim, ela conta que acertou o casamento, tarde, e parou de trabalhar de vez. Hoje, viúva de Dionísio Trevisan, com quem foi casada por mais de 36 anos, ela contou que se casou porque acreditava no destino. “Ele gostava muito de mim desde criança, sempre quis me namorar”, relata.
Após o falecimento do marido, ela não se deixou abater. Encarou o fato como um novo ciclo e decidiu fazer o que mais gostava: viajar. Visitou lugares como a Espanha, Itália e diversas cidades pelo Brasil.
Em seguida, com a idade ficando mais avançada, começou a frequentar o Grupo da Terceira Idade de Piracicaba. “Depois a minha família disse que eu não deveria ficar mais sozinha em casa. Eu fiquei com receio pela idade, por ficar doente e aceitei. Como minha irmã já estava aqui (residência de idosos), decidi vir e ficar com ela. Fui a primeira a escolher o quarto quando inaugurou nesta nova casa, aqui é amplo e com um bom espaço”, disse sobre sua estádia na casa.
Palmyra não teve filhos, mas tem vários sobrinhos e quer bem todos eles, também são como seus filhos. Durante a celebração, sua sobrinha Sandra Frias, contou que “ela é uma tia muito querida. É alegre, fala de todos os assuntos, e é muito ligada. Ainda hoje, gosta muito de ler. Sempre foi muito atenciosa.”
Ela define os 104 anos de sua vida: religiosa. “Frequentei a igreja e fui catequista. Eu sou muito religiosa, vivo de orações, estou sempre rezando, louvando a Deus e me entrego a Deus. Tenho muita devoção e foi tudo isso que me deu força, porque passamos por muitos problemas também. Eu tenho essa força e vou levando a vida”, finaliza.