VIOLÊNCIA

Piracicaba registra um feminicídio por mês em 2023

Por Roberto Gardinalli |
| Tempo de leitura: 3 min
Danilo Teles
Casos de violência contra a mulher assustam em Piracicaba
Casos de violência contra a mulher assustam em Piracicaba

Piracicaba registrou um caso de feminicídio por mês desde o início de 2023. De acordo com dados da SSP (Secretaria de Segurança Pública), a Polícia Civil de São Paulo deu início a investigação de quatro feminicídios na cidade desde janeiro.

Segundo números oficiais, disponíveis no Portal da Transparência da SSP, os primeiros quatro meses de 2023 registraram o dobro de casos quando comparado a todo o ano de 2022 e 2021, quando foram registrados dois casos em cada um. Ainda de acordo com os números, 2023 é o segundo ano mais violento para mulheres desde 2019, quando foram registrados cinco feminicídios em Piracicaba.

O último caso registrado na cidade aconteceu na noite da última quarta-feira (19), no bairro Jaraguá. De acordo com o boletim de ocorrências, a vítima, Silmara Cristina de Moura, de 39 anos, foi morta pelo ex-namorado, Arlindo Carvalho da Paixão, de 38 anos, com um tiro na região do rosto. Em seguida, o suspeito teria se matado, também com um tiro na região do rosto. Em março, a jovem Atila Jorge de Freitas, de 22 anos, foi morta por um homem de XX anos em um apartamento no bairro Vale do Sol após uma discussão. Ela teria sido espancada pelo suspeito, que foi denunciado pelo próprio sobrinho. Ele fugiu.

Em fevereiro, no dia 7, Tamires Marques, de 35 anos, foi morta pelo ex-marido, José Carlos Silva, a facadas no apartamento onde ela vivia com a filha, no bairro Campestre. A morte dela aconteceu após uma briga com o suspeito, que a atacou com uma faca. A filha do casal, de seis anos, teria presenciado o crime.

O primeiro caso do ano aconteceu no dia 25 de janeiro. A vítima, Isabel Bernardinelli, de 52 anos, foi morta em casa por um homem de 43 anos, identificado como Stelio Fabiano Leite, que foi preso em flagrante e confessou o crime. Segundo a Polícia Militar, o suspeito teria estrangulado e depois degolado a vítima. Testemunhas afirmaram, à época, que o suspeito é ex-namorado da vítima, e que ele já tinha batido na mulher.

Um quinto caso de morte de uma mulher por um companheiro ou ex-companheiro segue em investigação pela Polícia Civil. Em março, a jovem Natália Rodrigues da Silva, de 18 anos, foi resgatada em uma chácara no bairro Diniz onde era mantida de cárcere privado e agredida pelo então namorado. O rapaz foi preso em flagrante. A vítima foi levada ao Hospital dos Fornecedores de Cana, onde os médicos identificaram um tumor no cérebro dela. Natália morreu no último dia 4 de abril, porém, ainda não se sabe se o óbito aconteceu por conta da doença ou dos ferimentos. O suspeito foi denunciado ao Ministério Público por tentativa de feminicídio, cárcere privado, tortura e estupro. Ele segue preso.

 

MEDIDAS PROTETIVAS

De acordo com o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), em 2023, foram concedidas 167 medidas protetivas de urgência até o fim de março. O número divulgado pelo Tribunal é 30,4% maior quando comparado ao mesmo período de 2022, quando foram concedidas 128 medidas protetivas entre janeiro e março daquele ano.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou ontem (20), uma proposta de lei da ex-senadora Simone Tebet (MDB), que altera um trecho da Lei Maria da Penha, e inclui o direito à concessão imediata de medidas protetivas de urgência à mulheres vítimas de violência. Até a alteração, a Justiça tinha 48 horas para julgar o pedido.

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