Em janeiro de 2022, o Ibope Repucom já havia divulgado o seu estudo anual sobre os patrocinadores dos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, onde se tornou notória a quebra do domínio do setor financeiro nos espaços mais nobres das camisas das equipes nacionais, que passaram a contar com sites de apostas para esse papel.
Visto que o futebol brasileiro tem sido cada vez mais dominado pelas casas de apostas, no Paulistão de 2023 não foi exceção. Dos 16 clubes que disputam o torneio, 13 possuem patrocínios de empresas do ramo, representando 81,25% dos competidores. Apenas a Inter de Limeira, a Portuguesa e o São Bernardo não possuem acordos com casas de apostas.
Entre os grandes clubes do futebol paulista, todos contam com patrocínios de empresas de apostas esportivas. O Corinthians, por exemplo, que é o maior vencedor da história do torneio, e o Santos, que possui o maior número de artilheiros do Paulistão, são patrocinados pela Pixbet. Enquanto o Palmeiras e o São Paulo, os dois últimos campeões do torneio, têm o apoio da Betfair e da Sportsbet.io, respectivamente. Este último é o patrocinador máster com destaque na camisa do São Paulo.
Esse fenômeno de crescimento das empresas de apostas esportivas no futebol não é exclusivo do estado de São Paulo, mas sim de todo o país. Segundo a plataforma de análise do setor que compartilhou as estatísticas conosco, na última edição do Campeonato Brasileiro, todos os 20 clubes que participaram do torneio possuíam acordos comerciais com companhias do ramo, sendo que apenas o Palmeiras não tinha exposições no uniforme de jogo, mas ainda dispunha da parceria em outros segmentos.
Para a temporada de 2023, no futebol brasileiro, duas competições organizadas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) têm parcerias com sites de apostas. Recentemente, a entidade máxima do futebol brasileiro anunciou que um site de apostas será o patrocinador da Supercopa do Brasil. Além disso, a Copa do Brasil deste ano teve seus naming rights vendidos para a mesma empresa.
A legalidade das apostas esportivas no Brasil ainda é um assunto controverso e, embora haja muitos argumentos a favor, também existem preocupações em relação à integridade do esporte, principalmente devido à falta de regulamentação do setor.
Em 2018, o então presidente Michel Temer sancionou a Lei núm. 13756 de 2018 que permitia a exploração das apostas esportivas, definindo um prazo de dois anos para sua devida regulamentação, podendo ser prorrogado pelo mesmo período. No entanto, o prazo não foi cumprido pelo último presidente e criou um limbo regulatório que culminou com o escândalo de manipulação de resultados expostos na operação "Penalidade Máxima" do Ministério Público de Goiás (MP-GO).
A regulamentação, além de estabelecer valores para as licenças de operação, ainda cria responsabilidades para as plataformas, como, por exemplo, informar qualquer ação incomum e suspeita no mercado de apostas, seja referente ao número de apostadores ou aos valores investidos.
Por isso, é importante que os órgãos reguladores e as organizações desportivas trabalhem juntos para garantir que as empresas de apostas esportivas operem de forma legal e transparente, sem prejudicar a integridade do esporte e promovendo o patrocínio, elemento importante para a fomentação econômica do esporte.